
A história de Timmy, a baleia-jubarte que chamou a atenção de milhares de pessoas após uma série de encalhes na costa alemã, terá um novo capítulo após sua morte. O animal será reaproveitado em um processo que vai transformar sua gordura em biodiesel e os demais restos mortais em biomassa.
A baleia foi encontrada sem vida nas proximidades da ilha de Anholt, na Dinamarca, em maio, poucos dias após uma operação de resgate que tentou levar o animal, já debilitado, do Mar Báltico até uma área mais profunda do Mar do Norte. A tentativa, cercada de críticas e dúvidas entre especialistas, não conseguiu salvar o mamífero.
Após semanas em decomposição, a carcaça será encaminhada para uma unidade da empresa Daka Denmark, especializada no processamento de resíduos animais para produção de energia.
Segundo a companhia, o material será separado em diferentes partes. A gordura da baleia será utilizada para a fabricação de biodiesel, enquanto ossos, pele e tendões passarão por um processo de transformação em farinha, que poderá ser usada como fonte de biomassa em uma fábrica de cimento. A água retirada durante o procedimento será tratada antes de retornar ao ambiente.
A necropsia revelou que Timmy era uma fêmea, mas os especialistas ainda não conseguiram determinar a causa da morte. Durante o exame, o corpo do animal foi dividido e transportado em contêineres após a retirada da praia. Parte dos ossos também será preservada no Museu de História Natural de Copenhague.
Timmy já havia encalhado na Alemanha
A jornada de Timmy começou a chamar atenção em março, quando a baleia encalhou pela primeira vez em uma praia de Timmendorfer, no estado alemão de Schleswig-Holstein. O nome dado ao animal surgiu justamente em referência ao local onde foi encontrada.
Após dias de esforços envolvendo equipes de resgate e equipamentos pesados, a baleia conseguiu voltar ao mar, mas acabou encalhando novamente, desta vez na Baía de Wismar.
Com o passar das semanas, o estado de saúde do animal se agravou. Especialistas chegaram a defender o fim das tentativas de resgate, argumentando que novas intervenções poderiam causar ainda mais sofrimento.
Mesmo assim, a pressão pública fez com que uma nova operação fosse organizada. O plano era transportar Timmy em uma estrutura semelhante a uma balsa com água por centenas de quilômetros até o Mar do Norte.
A missão recebeu apoio financeiro de empresários, mas também provocou críticas de pesquisadores e organizações de proteção ambiental, que questionavam as chances reais de sobrevivência da baleia.
A última tentativa de salvamento aconteceu no início de maio. Os responsáveis pela operação afirmaram que a transferência para o mar aberto havia sido bem-sucedida, mas a falta de imagens e informações detalhadas sobre o momento da soltura levantou questionamentos.
Dias depois, uma baleia morta foi encontrada na Dinamarca e o rastreador instalado no animal confirmou que se tratava de Timmy.
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