
A apreensão de drogas disparou nos últimos quatro anos nos nove estados da região Norte que compõem a Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia, Tocantins e parte do Maranhão. É o que aponta novo levantamento publicado nesta quinta-feira (30) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, o aumento das apreensões é um dos indicativos da expansão das organizações criminosas no Brasil, que têm intensificado a atuação violenta na região.
A Amazônia Legal é uma área delimitada em 1953 por lei federal com o objetivo de criar políticas para desenvolvimento socioeconômico. Ela é formada pelo total de 772 municípios.
Veja abaixo a disparada nas apreensões de cocaína pelas forças de segurança na região:
“A baixa produtividade das Forças Armadas surpreende tanto por serem elas as responsáveis pela segurança das fronteiras, além de possuírem mais recursos humanos que as polícias e disporem de mais equipamentos adequados para atuar nos locais remotos da Amazônia Legal, em comparação com outras forças de segurança”, diz o texto.
Segundo os pesquisadores, não é possível somar volumes apreendidos por cada força, uma vez que as apreensões da PRF costumam ser encaminhadas à Polícia Judiciária Federal, e parte das apreensões eventualmente decorre de operações conjuntas.
O FBSP aponta que existem aos menos duas hipóteses que explicam o crescimento das apreensões: o aumento da eficiência das polícias e o fato de que a circulação de drogas realmente aumentou.
Para o diretor-presidente do FSB, Renato Sérgio de Lima, a segunda hipótese é corroborada pelo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que aponta crescimento de 35% das plantações de coca em 2021.
“Na hora que a gente conversa com as polícias, o argumento é o aumento da produtividade. Em alguns casos, como a Polícia Federal, de fato é uma verdade. Mas, para a gente, a hipótese mais plausível ao pegar os relatórios do Unodc é que Peru, Colômbia e Bolívia estão tendo um boom de produção de cocaína. Segundo estudos anteriores, a gente já estima que metade da produção de cocaína desses países passa pelo Brasil”, afirma Lima.
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