Manaus, 04/06/2026

Amazonas

Com a seca dos rios, preço do cimento sobe de R$ 52 para R$ 140 no Amazonas

Professora precisou paralisar obra devido preço do cimento em Manaus. — Foto: Rede Amazônica
Professora precisou paralisar obra devido preço do cimento em Manaus. — Foto: Rede Amazônica
07/12/2023 11h00

Com a seca severa que atingiu o Amazonas durante este ano, o preço do cimento teve um aumento de 169%. O nível dos rios impediu a chegada de carregamentos e afetou a oferta do produto nas lojas de materiais de construção de Manaus.

Devido ao encarecimento do produto, as obras precisaram ser paralisadas. A professora Elane Mesquista está construindo sua casa e está na reta final da obra. Entretanto, precisou paralisar a construção devido ao valor do cimento.

Segundo ela, antes o preço do cimento era uma média de R$ 52. Atualmente, a saca do produto custa R$ 140. Com o aumento do valor, ela precisou paralisar as obras de sua casa.

“Na reta final da obra não tem cimento. Há duas semanas eu encontrei cimento de R$ 52 e agora a gente encontrou de R$ 129 , R$ 140. Para finalizar a obra, não tem o principal que é o cimento”, disse a professora.

De acordo com Frank do Carmo Souza, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas, não há cimento suficiente para demanda do produto. Com isso, as poucas sacas que estavam disponíveis tiveram que ser vendidas pelo triplo do preço.

“Essa estiagem que nós estamos tendo é a pior estiagem em todos os tempos. Hoje nós já temos falta de cimento nos canteiros. A obra trabalha planejada, com prazo determinado. Nós temos paralisação em canteiro, porque não tem cimento e nós temos fase de obra que não consegue completar, isso vai atrasar a obra e vai gerar um preço mais caro”, disse o presidente do Sinduscon.

Frete encarece cimento

Para chegar no Amazonas, o material sai de São Paulo e vai para Belém, no Pará. De lá, é transportado de barco até o estado amazonense. Quando o rio está cheio, é uma média de 25 a 30 dias para chegar ao seu destino.

No entanto, com a seca, as embarcações levam mais dias para chegar até o Amazonas. Com isso, o frete fica mais caro e, consequentemente, encarece os produtos.

Um exemplo é uma loja de material de construção na Zona Leste de Manaus, que não recebe carregamento de cimento desde agosto.

Segundo o proprietário do estabelecimento, Marcelo Ozório, como está caro transportar o material, novos pedidos só devem ser feitos a partir de janeiro, quando os níveis do rio voltam a normalizar.

“O nosso problema não é o material de construção que está caro. É o frete que está caro devido a situação que a gente está passando nos rios”, revelou o empresário.

O nível dos rios do Amazonas já começou a subir e a expectativa é que o estado seja abastecido com novos carregamentos de materiais neste mês ou em janeiro.

Fiscalização Procon-AM

Nesta semana, o Instituto de Defesa do Consumidor do Amazonas (Procon-AM) realizou uma fiscalização na fábrica de cimento e nas revendedoras em Manaus.

Segundo o órgão, foi constatado que a fábrica tem enfrentado dificuldades no fornecimento devido à escassez de insumos, o que resultou em uma oferta reduzida para os revendedores.

O Procon-AM pontuou ainda que essa escassez tem impactado diretamente os preços do cimento no comércio local, resultando em um aumento significativo. Os revendedores, ao adquirirem quantidades limitadas, têm repassado esses custos às lojas, gerando um aumento sequencial nos preços ao longo da cadeia de distribuição.

Reconhecemos que essa situação tem gerado preocupação para os consumidores, uma vez que os preços elevados afetam diretamente o acesso a esse material essencial para a construção.

O Procon/AM ressaltou que vai acompanhar de perto a situação e, caso necessário, adotará as medidas adequadas para resolver a questão, garantindo um mercado equilibrado e acessível para todos os consumidores.

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