
A política é dura, seletiva e, muitas vezes, ingrata. Mas há momentos em que é preciso parar, observar o cenário com frieza e reconhecer quando a exposição deixa de ser estratégia e passa a ser humilhação pública desnecessária. É exatamente essa a situação que envolve o coronel Menezes e sua filha, a deputada estadual Débora Menezes.
Os episódios recentes ocorridos durante a caminhada de Nicolas Ferreira deixaram isso muito claro. Menezes esteve presente, mas foi visivelmente recebido com frieza. O desconforto ficou evidente. Não houve acolhimento, não houve proximidade, não houve sinalização de alinhamento político. Em seguida, um vídeo gravado ao lado do deputado Alberto Neto — que também demonstrou incômodo — só reforçou a percepção de que aquela presença não era desejada.
Isso não acontece por acaso. Menezes é visto por uma parcela significativa da direita como alguém que rompeu pontes importantes. Ele já atacou Alberto Neto no passado, optou por apoiar Roberto Cidade em vez de Alberto na disputa pela Prefeitura de Manaus e, agora, tenta reconstruir narrativas dizendo que Alberto seria seu candidato. Para muitos, isso soa incoerente. Na política, memória existe — e pesa.
Além disso, parte expressiva da direita interpretou a presença de Menezes nesses eventos não como um ato de militância genuína pelo Brasil, mas como uma tentativa de reposicionamento eleitoral. Isso gera resistência. E quando a resistência é coletiva, ela se manifesta em gestos, silêncios, afastamentos e constrangimentos públicos.
No caso de Débora Menezes, a situação é ainda mais sensível. Não é a primeira vez que ela enfrenta barreiras em eventos ligados ao bolsonarismo. Na caminhada com Nicolas Ferreira, foi afastada pela segurança. Em outra ocasião, durante a visita de Bolsonaro a Manaus, precisou literalmente se espremer para subir no trio elétrico — e novamente encontrou resistência. Isso já se repetiu vezes suficientes para deixar claro: a presença dela nesses espaços é malvista.
E o motivo é evidente para quem acompanha os bastidores: há a percepção de que essas aparições têm caráter eleitoral. Débora é candidata à reeleição e, goste-se ou não, muitos desses grupos entendem que ela tenta se associar a lideranças nacionais que não a reconhecem como parte do seu núcleo político. Isso cria constrangimento para todos — inclusive para ela.
É preciso dizer isso com honestidade: Débora foi eleita, em grande parte, pelo capital político do pai. À época, seu nome era pouco conhecido. Hoje, a realidade é outra. O desgaste existe, a rejeição dentro de segmentos da direita é real e a chance de reeleição, como muitos avaliam nos bastidores, é difícil.
Nada disso apaga a trajetória do coronel Menezes. Ele é um homem respeitável, coronel do Exército, aposentado, com história e serviços prestados. Justamente por isso, não merece se submeter a situações constrangedoras, muito menos arrastar sua filha para cenários onde ambos são visivelmente rejeitados.
A crítica aqui não é destrutiva. É um alerta. A imprensa percebe. A população percebe. Os próprios aliados percebem. Continuar insistindo em ambientes onde não há aceitação só amplia o desgaste e transforma a política em um espetáculo de constrangimento.
Talvez seja o momento de Menezes e Débora repensarem estratégias, recuarem com dignidade e avaliarem caminhos onde sejam respeitados — ou, no mínimo, onde não precisem se humilhar em busca de validação que claramente não virá.
Política exige firmeza, leitura de cenário e, acima de tudo, autopreservação. E, neste momento, o que se vê é justamente a falta dela.
Por: Marcelo Generoso
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.