
A polícia da Paraíba desmantelou um esquema de tráfico que contava com a participação de policiais e até um delegado, que negociavam entorpecentes com facções criminosas, desviavam apreensões e vazavam informações sobre operações policiais para proteger foragidos.
O esquema resultou na prisão de um delegado e dois investigadores na última terça-feira (2), durante uma operação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil, que cumpriu nove mandados de prisão.
“Eu trago tanto hormônio como suplemento desde 2007. Os ‘anabols’ [anabolizantes] deixam para mim mais do que o meu salário do Estado. A polícia paga uma merreca”, afirmou Bomba em um dos áudios.
A investigação, iniciada em maio de 2025 após a denúncia de um traficante, apontou que o investigador Everton Aires, conhecido como “Bomba”, policial há mais de 20 anos, movimentou mais de R$ 4 milhões em cinco anos, montante incompatível com seu salário de R$ 8.500. O cara que mais vende aqui sou eu. Se for para me sustentar só com o salário da polícia, não dá, não”, disse Bomba em um áudio.
Em áudios interceptados, Aires tratava o tráfico como atividade empresarial e confessava revender cocaína, crack e skunk confiscados. Ele também intermediava negociações com a facção Comando Vermelho.
Além de Aires, foram presos o investigador Eduardo Jorge, o “Mão Branca”, e o delegado Braz Morroni. O grupo é acusado de proteger criminosos de alta periculosidade, como José Alexandrino Júnior Lira, investigado por ataques na modalidade “Novo Cangaço” contra bancos e carros-fortes no Nordeste, que também foi detido na ação.
Além disso, o trio ainda frequentava festas e publicava fotos nas redes sociais com traficantes conhecidos na região.
As defesas dos envolvidos negam as irregularidades. O advogado de Everton Aires declarou que o cliente não aceita as acusações; a defesa de Eduardo Jorge classificou a investigação como um “assassinato de reputação”; e a representação de Braz Morroni sustentou que não há provas da participação consciente do delegado. A defesa de Júnior Lira alegou que sua inocência será provada e que ele é alvo de perseguição policial.
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