
Muito além de incrementar o currículo ou se sentir útil no tempo livre, o trabalho voluntário está ligado à ideia universal do Bem, uma corrente que une e contagia a caminhada ao longo da vida. A prova é o benefício gerado àquele que se doa e à importância que o tema ganhou a partir da pandemia de Covid-19.
Neste sábado, 28 de agosto, celebra-se o Dia do Voluntariado no Brasil, instituído por meio da Lei nº 7.352/1985, em homenagem e destaque àqueles que atuam como voluntários nas mais diversas causas pelo território brasileiro.
Um estudo coordenado pelas consultorias Mobiliza e Reos Partner apontou um aumento de 40% no engajamento de pessoas que já atuavam voluntariamente bem como na adesão de novos voluntários, no último ano.
Antes da crise sanitária, de acordo com o último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 o trabalho voluntário teve redução de 4% em relação ao mesmo do ano anterior. Na ocasião, 6,9 milhões de pessoas afirmaram realizar trabalhos voluntários.
“A dor da humanidade nos impulsiona a sermos melhores. E ela deve ser inteligente, ou seja, tem que atuar desvanecendo a causa da dor; não se dá um paliativo para a dor alheia, mas atua-se diretamente na fonte da dor. É isto que propõe a filosofia: atuar não para enxugar a poça no chão, mas para corrigir a goteira no telhado, diretamente na causa do problema”, explica a filósofa Lúcia Helena Galvão Maya, professora voluntária da Nova Acrópole há mais de 30 anos.
Lúcia Helena lembra que não há paradoxo em atuar na defesa de causas urgentes e emergenciais, mas que sempre se deve ter em mente o propósito maior de construir um ser humano melhor, que é a proposta da Organização Internacional Nova Acrópole.
“Na Nova Acrópole, voluntariado é o nosso dia a dia. Aqui fazemos voluntariado por meio da filosofia, do ensino de filosofia. Voluntariado não é só você pegar alimento e levar numa comunidade carente. Eu também acho que isso é bom, mas não esqueça que a causa da miséria não vem da falta de comida, vem da falta de valores. A causa da fome não vem da falta de alimento, vem da falta de fraternidade”, explica.
Da mesma forma, a filósofa lembra que ações como o trabalho ofertado como forma de “recompensa por erros passados” não representam, necessariamente, o tipo de voluntariado que busca a vivência do bem universal.
“Esse tipo de ação poderia se aperfeiçoar ao longo do tempo, harmonizando fins e meios; afinal, a busca da coerência e da harmonia também é virtude. Porém, uma ação voluntária realmente ligada ao bem universal é uma ação sem interesses, pensando apenas no bem daqueles que recebem este benefício. Ao longo de vários momentos da história passada e recente vemos a grandeza, a pureza e a bondade que certos homens foram capazes de manifestar, doando tudo de si por causas nobres. Não podemos nos furtar à conclusão de que esse potencial humano também existe, adormecido, em nós. Quando agimos desta forma não há o que lamentar, afinal, o que pode ser mais nobre do que ser verdadeiramente humano?”, indaga a professora.
Em Manaus, a voluntária Dulcenilda Malcher da Silva, que está na escola desde 2017, afirma que o trabalho voluntário em Nova Acrópole permite “tornar vivo o conhecimento” ao colocar todos os ensinamentos em prática. “É estar disposto a servir a vida, atuar conforme a necessidade se apresenta”, explica.
Por meio da atuação de voluntários iniciada em 1957, na Argentina, nasceu a Organização Internacional Nova Acrópole, que se dedica ao ensino de filosofia à maneira clássica em mais de 60 países. O curso adaptado para mais de 30 idiomas é aplicado por professores voluntários e tem beneficiado milhares de pessoas em todo mundo que buscam conhecer-se, desenvolver-se e contribuir com a criação de um mundo melhor.
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