Manaus, 27/07/2026

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Dor e revolta: mãe sepulta bebê que morreu após negligência em parto na maternidade Ana Braga

Dor e revolta: mãe sepulta bebê que morreu após negligência em parto na maternidade Ana Braga
27/07/2026 13h00

O momento mais aguardado e feliz para uma família de Manaus transformou-se em um cenário de dor e verdadeiro pesadelo entre os dias 23 e 24 de julho. Uma mãe perdeu seu recém-nascido na Maternidade Ana Braga, uma das principais unidades de saúde do Amazonas, após a equipe médica supostamente se recusar a realizar um parto cesárea. O caso, que escancara a crise na saúde pública estadual, ganhou contornos ainda mais dramáticos devido à retenção do corpo do bebê por horas, situação que só foi resolvida com a intervenção do repórter Anderson Batista.

A sucessão de horrores começou durante a madrugada. Segundo a denúncia, o óbito da criança foi constatado por volta das 4h. No entanto, em vez de receberem o acolhimento necessário, os pais enfrentaram uma espera excruciante. Até as 10h da manhã, a maternidade ainda não havia liberado a certidão de óbito, documento indispensável para que a família pudesse encaminhar o corpo e se despedir do filho. Desesperados e ignorados pelo sistema, os pais tentaram contato com diversos veículos de comunicação, até conseguirem falar com Batista às 13h, clamando por socorro para que a criança não continuasse nas dependências da unidade sem qualquer encaminhamento.

Veja vídeo:

Ao chegar à recepção do hospital por volta das 14h, o repórter passou a cobrar respostas contundentes da administração e revelou o motivo do atraso injustificável: o médico responsável pelo atendimento havia deixado a maternidade pública e já estava trabalhando em um hospital da rede privada. De acordo com o levantamento de Batista, tem sido uma prática recorrente que profissionais busquem plantões particulares para garantir recebimentos à vista, em meio a relatos de atrasos salariais no Estado. O impasse chegou a um nível tão absurdo que um funcionário do Ana Braga precisou ser deslocado em uma picape até o hospital particular, exclusivamente para colher a assinatura do médico no documento de óbito.

Enquanto o drama familiar se desenrolava, a postura da direção da maternidade evidenciou uma grave inversão de prioridades. Sob a gestão do diretor Edilson Albuquerque, pastor da Assembleia de Deus nomeado pelo governo estadual, a administração do hospital demonstrou mais preocupação com a presença da imprensa do que com o luto do pai. Seguranças foram enviados para repreender a atuação do repórter sob a acusação de “fazer bagunça”. A tentativa de intimidação, no entanto, perdeu força rapidamente, pois os próprios vigilantes compreenderam e se solidarizaram com a tragédia enfrentada pela família.

O triste episódio está longe de ser um caso isolado e reflete o sucateamento estrutural da Maternidade Ana Braga. O prédio sofre com a falta de manutenção básica, operando sem infraestrutura de segurança primária, como um sistema de para-raios adequado, o que coloca em risco a vida de dezenas de pacientes e funcionários. Além da precariedade física, a unidade de saúde já acumula um longo histórico de denúncias e condenações judiciais por violência obstétrica e falhas no atendimento.

Diante de um cenário marcado por negligência e omissões administrativas, a unidade que deveria ser sinônimo de vida tornou-se um local de pavor na capital amazonense. O medo agora acompanha as gestantes que dependem do sistema público, fazendo com que a maternidade seja vista, conforme relatado por quem acompanha o desespero dessas mães de perto, como um ambiente mais temido do que um hospital de guerra.

Fonte: CM7 Brasil

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