Manaus, 04/06/2026

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Duas Rodas vende 2,9 milhões de unidades em 2025

Produção de motocicletas deve ultrapassar as duas milhões de unidades em 2026, após um ano com a somatória chegando a 1,9 milhão em 2025, estimou a Abraciclo em coletiva de imprensa (Fotos: divulgação/Abraciclo)
Produção de motocicletas deve ultrapassar as duas milhões de unidades em 2026, após um ano com a somatória chegando a 1,9 milhão em 2025, estimou a Abraciclo em coletiva de imprensa (Fotos: divulgação/Abraciclo)
16/01/2026 15h15

O segmento de Duas Rodas, majoritariamente sediado na Zona Franca de Manaus (ZFM), fechou 2025 com 2,9 milhões de unidades vendidas no varejo, o maior número da série histórica e um crescimento de 17,1% em relação a 2024, quando foram comercializadas 1,8 milhão de unidades. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) nesta quinta-feira (15).

Segundo a associação, o segmento faturou R$ 41,6 bilhões entre janeiro de 2025, número 23% maior que o mesmo período em 2024, além de encerrar o ano com 1,9 milhão de motocicletas produzidas, crescimento de 13,3% em relação ao ano anterior. O número é o melhor da série histórica desde 2018, quando o setor enfrentou forte queda e produziu apenas 883 mil motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Embora não tenha batido a meta de 2 milhões prevista para este ano, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que o setor projeta fabricar mais do que isso ao longo de 2026.

“A gente projeta um crescimento depois de uma longa espera. A nossa expectativa é voltar a produzir acima do patamar de 2 milhões de unidades, 2 milhões e 70 mil unidades, e um volume de exportação de 45 mil unidades e um varejo de 2,3 milhões de unidades”, disse.

Na apresentação, a Abraciclo divulgou que o setor registrou 20,6 mil empregos diretos no Polo Industrial de Manaus (PIM) em 2025 e uma capacidade produtiva de 2 milhões de motocicletas e 500 mil bicicletas ao ano. Marcos Bento ressaltou que o setor permaneceu “com uma demanda constante para todas as regiões do país, principalmente pelos atributos da motocicleta de economia, mobilidade urbana”, além do uso profissional.

“A indústria segue investindo em tecnologia, na melhoria contínua dos processos produtivos e no desenvolvimento de novos modelos, acompanhando a evolução das necessidades do consumidor”, completou.

TARIFAS E CONFLITOS

Nas projeções de 2026, Marcos Bento deu atenção especial à escalada de conflitos que vem acontecendo desde o ano passado e que podem impactar na logística da Zona Franca de Manaus. Questionado sobre as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante boa parte de 2025, o presidente da Abraciclo afirmou que outros mercados absorveram o impacto.

“A gente fecha o ano de 2025 com 43 mil unidades [exportadas], 12 mil a mais [que 2024], 39% de variação. Aí é um destaque para Argentina e Colômbia, que cresceram. É claro que a gente tem um impacto negativo do tarifaço sobre as exportações dos Estados Unidos, mas que foram absorvidas por outros mercados como Austrália, Canadá e França”, disse.

No entanto, Marcos Bento apontou para a possibilidade de impactos negativos provocados pelos conflitos internacionais mais recentes, citando o fechamento do espaço aéreo do Irã na última semana e o problema enfrentado no Canal do Panamá em 2025, alvo de interferência política e militar.

“Todos os nossos fabricantes tem essa conexão [com o mundo] tanto na importação de insumos quanto na exportação de produtos. Esses conflitos geram esse tipo de problema e para ‘ajudar’, nós estamos em Manaus, que é uma ilha. As nossas mercadorias são importadas através de portos. Essa questão de conflito global com certeza afeta o nosso dia-a-dia, o da nossa logística principalmente”, destacou.

Produção acima de 350 mil bikes

A Abraciclo projeta que as fabricantes de bicicletas instaladas no PIM devem produzir 350 mil unidades em 2026, um crescimento de 4,3% em relação às 335,5 mil produzidas em 2025. Segundo o vice-presidente do segmento de bicicletas, Fernando Rocha, os indicadores apontam sinais positivos para o setor “com a retomada gradual e o bom desempenho das fábricas” em Manaus.

“Para 2026, a expectativa é de um cenário favorável, com lançamentos que ampliam as opções para o consumidor e acompanham a evolução do mercado. Os modelos elétricos devem ganhar reforço de forma consistente, refletindo o interesse crescente do consumidor por soluções de mobilidade mais eficientes e sustentáveis”, avaliou.

A região Sudeste foi a que mais recebeu bicicletas produzidas no PIM no ano passado. No total foram 186.418 unidades, o que corresponde a 55,5% do volume total fabricado. Na sequência vieram: Sul (com 15,5% da produção), Nordeste (12,5%), Centro-Oeste (10%) e Norte (6,5%).

Atenção às mudanças da tributária

Internamente, a Abraciclo espera um cenário de taxa básica de juros (Selic) ainda em alta, pressionando a inflação e ocasionando um crescimento moderado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Outro ponto desafiador para a indústria e o comércio, segundo Marcos Bento, é o calendário de 2026, onde “teremos muitos feriados prolongados, teremos a Copa do Mundo e teremos eleições majoritárias.

O segmento também está de olho na reforma tributária, cuja transição começou em 1º de janeiro de 2026 com a implementação de alíquotas simbólicas dos novos Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além do lançamento do Comitê Gestor do IBS.

“O que nós e toda a indústria e o comércio temos falado são as regras do CBS, que vão impactar todos, toda a economia em geral. Temos feito por parte da indústria um forte trabalho para aumento de volume e redução de custos. A nossa expectativa é que, para atingir esses volumes, a gente continue com o preço competitivo, e nós faremos os esforços”, completou.

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