Manaus, 04/06/2026

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Em telefonema, Gustavo Petro diz a Trump que não é traficante

Em telefonema, Gustavo Petro diz a Trump que não é traficante
08/01/2026 14h40

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta quarta-feira (8) em uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não é narcotraficante e lhe apresentou os números de seu governo na luta contra as drogas.

– Tive que lançar os números, poucos, os mesmos que tenho repetido aqui sobre por que sou acusado [de ser narcotraficante] se estou há 20 anos arriscando minha vida, lutando contra mafiosos de grande poder e políticos aliados a eles – disse Petro a apoiadores em uma manifestação “em defesa da soberania” na Praça de Bolívar, em Bogotá.

O mandatário também contou a Trump sobre o trabalho realizado com o governo venezuelano para enfrentar o narcotráfico.

– Falei que com [o presidente da Venezuela, Nicolás] Maduro havíamos combinado operações conjuntas, ele lá e eu aqui, em [na região fronteiriça de] Catatumbo – disse.

Petro é um crítico ferrenho das operações contra o narcotráfico dos Estados Unidos no mar do Caribe e no Pacífico oriental, nas quais foram afundadas ao menos 21 lanchas supostamente carregadas com drogas e nas quais ao menos 82 tripulantes morreram.

Essa postura deteriorou sua relação com os EUA, que em setembro retiraram seu visto americano. Depois, o Departamento do Tesouro o incluiu, junto com outras pessoas de seu entorno, na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), conhecida como Lista Clinton, após Trump acusá-lo de ser um “líder do narcotráfico”.

Nesse sentido, Petro defendeu nesta quarta em telefonema com Trump que durante seu governo, que começou em 7 de agosto de 2022 e termina neste ano, aumentaram “as apreensões de drogas” e que, quando deixar o cargo, o saldo será de 3.500 toneladas apreendidas.

Petro também afirmou que assinou a extradição de 700 narcotraficantes para os Estados Unidos, incluindo Álvaro Córdoba, irmão da falecida senadora governista Piedad Córdoba.

O presidente colombiano pediu a conversa com Trump em meio a uma guerra verbal com o presidente norte-americano, que no último domingo comentou a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One que, assim como a Venezuela, “a Colômbia também está muito doente” e é “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e isso é algo que não vai continuar fazendo por muito tempo”.

Ao ser questionado se isso significa que poderia haver uma operação na Colômbia como a que foi feita na Venezuela contra Maduro, ele respondeu que é algo que lhe soa bem.

O presidente colombiano reagiu com outra ameaça, a de voltar a pegar em armas se for necessário, como em seus anos de guerrilheiro do grupo M-19, para defender a soberania do que chamou de “ameaça ilegítima” de Trump.

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