Manaus, 04/06/2026

Saúde

Estudo de Iniciação Científica investiga padrões de mortalidade por AIDS no Amazonas

Estudo de Iniciação Científica investiga padrões de mortalidade por AIDS no Amazonas
18/09/2025 09h45

Manaus – Um estudo recente investigou a mortalidade por AIDS no estado do Amazonas, com foco em aspectos sociodemográficos, evolução temporal, distribuição espacial e fatores de risco associados aos óbitos registrados entre 2007 e 2023.

A pesquisa, intitulada “Análise espacial e temporal da mortalidade por Aids no Amazonas: uma abordagem sobre iniquidades”, foi desenvolvida pela acadêmica de Medicina Kaísa Lindomara dos Santos Figueiredo, da Universidade Nilton Lins. O projeto teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), e foi realizado na Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

Sob a coordenação do Dr. Timoteo Tadashi Watanabe (FVS-RCP) e orientação do Dr. Daniel Barros de Castro (Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado FMT-HVD), o estudo foi premiado com o 2º lugar na 10ª Jornada Científica da FVS-RCP, evento que reconhece os trabalhos de maior relevância acadêmica na área da saúde pública.

Principais resultados da pesquisa

Durante o período analisado, o Amazonas registrou 3.829 óbitos por AIDS. O estudo identificou duas tendências distintas:

  • 2007 a 2012: crescimento médio anual de 15,84% na mortalidade.
  • 2012 a 2023: redução média de 7,32% ao ano, indicando uma queda sustentada a partir desse ponto.

Na análise espacial, o estudo evidenciou o processo de interiorização dos óbitos até 2012, com destaque para municípios como Tefé e outras localidades nas calhas do Rio Solimões e do Alto Rio Negro. Após esse período, entre 2012 e 2016, o avanço da mortalidade se concentrou nas regiões do Baixo Solimões e do Baixo Amazonas. A partir de 2016, as taxas começaram a cair no interior, mas se mantiveram elevadas em Manaus, Parintins e Autazes.

O perfil das vítimas revelou maior risco entre:

  • Homens (73% dos óbitos),
  • Pessoas pretas (90%),
  • Jovens adultos entre 12 e 39 anos,
  • Residentes de Manaus (82%),
  • Com transmissão sexual predominante (99%).

Os principais fatores de risco foram:

  • Sexo masculino,
  • Idade avançada,
  • Uso de drogas injetáveis,
  • E, sobretudo, o diagnóstico tardio, já em estágio avançado da doença, o que aumenta em até 34 vezes o risco de morte.

Contribuição social e política

Segundo a autora, Kaísa Figueiredo, o estudo evidencia desigualdades regionais e sociais na mortalidade por AIDS no Amazonas, apontando populações mais vulneráveis e sugerindo caminhos para o fortalecimento das políticas públicas.

“A pesquisa traz uma importante contribuição social ao evidenciar as desigualdades regionais e sociodemográficas que afetam a mortalidade por AIDS no Amazonas. Ela mostra claramente quais populações estão mais vulneráveis e aponta caminhos para o fortalecimento das políticas públicas, como a descentralização dos serviços de saúde, a expansão da atenção básica, a ampliação da testagem precoce e o foco em populações-chave”, destacou Kaísa.

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