
O estireno, substância envolvida no vazamento registrado no fim da tarde desta quarta-feira (15), em uma indústria petroquímica do Distrito Industrial de Manaus, é o mesmo composto químico associado ao acidente que matou 12 pessoas e deixou milhares de intoxicados na cidade de Visakhapatnam, na Índia, em 2020. Embora as circunstâncias sejam diferentes, especialistas classificam o produto como potencialmente perigoso quando inalado em altas concentrações, podendo provocar desde irritação das vias respiratórias até insuficiência respiratória, alterações neurológicas e perda de consciência.
Em maio de 2020, um vazamento de estireno na fábrica LG Polymers, em Visakhapatnam, no sul da Índia, provocou uma das maiores emergências químicas dos últimos anos. O acidente deixou 12 mortos e mais de mil pessoas hospitalizadas.
Na ocasião, moradores apresentaram náuseas, tontura, desmaios e dificuldades respiratórias. O gás se espalhou por um raio de aproximadamente cinco quilômetros, levando o governo indiano a decretar medidas emergenciais de proteção à população e evacuação das áreas atingidas.
Especialistas atribuíram os sintomas à ação do estireno sobre o sistema respiratório e o sistema nervoso central.
Em Manaus, o incidente mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Defesa Civil, Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Prefeitura de Manaus e demais órgãos de emergência. Na manhã desta quinta-feira (16), trabalhadores de empresas instaladas no Distrito Industrial relataram mal-estar após inalarem o gás que permaneceu disperso na atmosfera. A nuvem atingiu uma área estimada em cerca de 10 quilômetros, com reflexos principalmente nas zonas sul e leste da capital.
Como medida preventiva, escolas localizadas na região suspenderam as aulas, enquanto a Prefeitura de Manaus instalou um comitê de crise para acompanhar a evolução da ocorrência e coordenar as ações de resposta.
O que é o estireno
O estireno é uma substância amplamente utilizada na fabricação de plásticos, resinas, embalagens, eletrodomésticos, peças automotivas e materiais de construção. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), o composto é classificado como um possível agente cancerígeno para humanos.
A exposição ao produto ocorre principalmente por inalação dos vapores. De acordo com orientações técnicas para profissionais de saúde, o estireno pode provocar irritação nos olhos, pele e vias respiratórias, além de sintomas como tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência e depressão do sistema nervoso central.
Nos casos mais graves, a intoxicação pode evoluir para convulsões, arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, coma e até morte.
Não existe antídoto específico para intoxicação por estireno. O tratamento é sintomático e de suporte, incluindo oxigenoterapia, monitoramento dos sinais vitais e remoção imediata da vítima da área contaminada.
Como ocorreu o vazamento em Manaus
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o vazamento foi registrado às 17h36 de quarta-feira em um dos tanques de armazenamento de estireno de uma empresa petroquímica localizada no Distrito Industrial.
A corporação informou que o sistema de segurança do próprio tanque foi acionado após uma elevação anormal da temperatura do produto, liberando vapores de forma controlada para evitar uma explosão.
Para conter a ocorrência, foram mobilizados cerca de 35 bombeiros, dez viaturas e quatro canhões de água, além do apoio da Polícia Militar, responsável pelo isolamento da área, e da brigada de incêndio da empresa.
O Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos permaneceu atuando no resfriamento do tanque e no monitoramento da área.
Empresa afirma que não houve risco ambiental
Em nota, a Innova informou que a emergência ocorreu em um dos três tanques de armazenamento de monômero de estireno de sua Unidade IV.
Segundo a empresa, a elevação da temperatura provocou a liberação controlada de vapores pelos dispositivos de segurança do equipamento. A companhia afirma que não houve incêndio, vazamento do produto líquido nem lançamento de efluentes para fora dos diques de contenção.
Ainda conforme a empresa, todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento ambiental adequado e “não há risco à saúde das pessoas nem de contaminação ao meio ambiente”. A Innova também declarou que nenhum funcionário ficou ferido e que o abastecimento dos clientes não foi comprometido.
A empresa lamentou os transtornos causados à população e informou que adotará medidas para evitar novos episódios.
Atendimentos médicos
A Secretaria de Estado de Saúde informou que 16 pessoas deram entrada em unidades da rede estadual apresentando sintomas relacionados à exposição ao produto. Todos os pacientes chegaram com quadro clínico estável e passaram por avaliação médica.
A SES orienta que pessoas expostas ao estireno procurem atendimento imediato caso apresentem irritação nos olhos ou pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.

Orientações à população
A Defesa Civil do Amazonas orienta que moradores das áreas afetadas:
O órgão permanece monitorando a situação em conjunto com os demais órgãos estaduais e municipais, enquanto equipes técnicas acompanham a dispersão dos vapores e a qualidade do ar na região.
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