
Coordenador da bancada federal do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) afirmou que o governo vai trabalhar para aprovar o fim da escala 6×1 ainda neste primeiro semestre. A informação já havia sido dada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Na terça-feira, Boulos disse que a expectativa é de que a proposta seja pautada para votação no Congresso Nacional e, caso aprovada, seja promulgada pelo presidente Lula no primeiro semestre.
Omar Aziz defendeu que a medida é necessária e melhora as condições de trabalho da população.
“Vamos acabar com a escala 6×1. Não tem mais condições de trabalhar seis por um. Trabalhar a quantidade de horas que as pessoas trabalham por semana, as pessoas psicologicamente, fisicamente, elas estão exauridas”, disse.
O senador ressaltou que as horas de trabalho das pessoas são longas, pois, em capitais como Manaus, há a soma do trajeto para se deslocar no percurso de trabalho.
‘PRODUZ MAIS’
“Você imagina um cara que tem que chegar oito horas da manhã aqui e sair de um bairro de Manaus e pegar o ônibus seis horas da manhã; ele acordou que horas? Cinco horas da manhã. Pega o ônibus seis, demora uma hora e meia ou duas para chegar aqui. Quando ele sai daqui no final da tarde, ele leva mais duas pra chegar em casa e aí passa mais de 15h fora de casa. Não tem mais convívio e, quando chega final de semana, está exausto fisicamente e mentalmente”.
Aziz defende, ainda, que reduzir a escala não diminuirá as produções trabalhistas.
“Já está comprovado cientificamente que, se você reduz a carga horária do trabalhador, ele produz mais”, disse.
‘Defendo um novo pacto de trabalho’
O deputado Amom Mandel (Cidadania) também confirmou a intenção do governo Lula e de suas lideranças de aprovar o fim da escala 6×1 no primeiro semestre. “A proposta para o fim da jornada 6×1 está em estágio avançado, com a expectativa do governo e de lideranças parlamentares de que a votação ocorra ainda no primeiro semestre de 2026”, disse.
O parlamentar defendeu que as discussões sobre a jornada de trabalho devem ir além da escala 6×1. Ele ressaltou que o Brasil precisa discutir um novo pacto de trabalho que considere as dificuldades de deslocamento e valorização de quem produz.
“Defendo um novo pacto de trabalho para o Brasil, que leve em conta a qualidade de vida, a inovação e a valorização de quem produz. É hora de repensar jornadas, criar incentivos para empresas que valorizem o bem-estar e ampliar o debate sobre modelos mais sustentáveis de trabalho”, afirmou Mandel.
Deputado licenciado, Saullo Vianna (União), que deve retornar à Câmara dos Deputados em março, disse que há anos luta para que a escala 6×1 seja aprovada. Disse que foi o primeiro a assinar a proposta e continuará lutando para que a aprovação aconteça.
“Eu sou extremamente favorável. Nós temos experiências no resto do mundo que demonstram que, diminuindo a carga horária de trabalho, você não perde produtividade; ao contrário, ela aumenta”, informou.
Saullo Vianna ressaltou que a proposta deve ser debatida pelo Congresso.
“Isso vai incentivar a geração de emprego, vai dar uma dignidade de vida maior para os trabalhadores, além do que também vai aumentar muito a produtividade do setor, do comércio, de serviços e da indústria, que sustentam o país”.
Governo pode enviar nova proposta
O fim da escala 6×1 está previsto na Proposta de Emenda Constitucional nº 8/2025, apresentada à Câmara dos Deputados em fevereiro do ano passado e assinada por 226 deputados – sendo a deputada Erika Hilton (PSOL/SP), do mesmo partido de Boulos, a autora da proposta e primeira signatária.
De acordo com o documento disponível na Câmara dos Deputados, a última movimentação registrada sobre a Escala 6×1 foi a aprovação do requerimento nº 93/2025, de autoria da Sra. Erika Hilton, que foi o requerimento de audiência pública, como exigido para PEC, com o tema “Da Constituinte ao Fim da escala 6×1: o histórico de luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil”, a ser realizada no âmbito da Subcomissão Especial que debate a PEC.
A medida deve voltar a caminhar e ser aprovada antes das eleições de 2026, como uma das pautas da campanha de reeleição do presidente Lula.
Nesta quarta-feira, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o fim da escala 6×1 no Brasil é prioridade para o governo federal neste ano. Ela afirmou que o governo pode enviar um projeto para unificar as propostas que já estão em tramitação no Congresso sobre o tema.
“Depois do presidente ter feito a correção do salário mínimo por aumento real, ter conquistado mais empregos para população, ter feito a isenção do imposto de renda [IR] para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, disse Gleisi.
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