Manaus, 26/07/2026

Brasil

Itamaraty confirma morte de brasileiro em prisão de Israel e cobra investigação ‘célere’ do governo Netanyahu

Itamaraty confirma morte de brasileiro em prisão de Israel e cobra investigação ‘célere’ do governo Netanyahu
25/03/2025 13h00

O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta terça-feira (25) a morte do cidadão brasileiro-palestino Walid Khalid Abdalla Ahmad em uma prisão em Israel.

A morte de Ahmad foi inicialmente comunicada nesta segunda (24) em uma nota divulgada pela Federação Árabe Palestina no Brasil, na qual a entidade disse que a prisão onde ele estava é um “campo de concentração” conhecido por casos de tortura com choques elétricos, espancamentos e privação de comida, por exemplo.

Na nota em que confirma o falecimento de Walid Ahmad, o Ministério das Relações Exteriores afirma que “as circunstâncias e a data exata do óbito ainda não foram esclarecidas”.

O governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda consternação, da morte do cidadão brasileiro Walid Khalid Abdalla Ahmad, de 17 anos, na prisão israelense de Megido. O menor, residente da Cisjordânia, no Estado da Palestina, fora detido em 30 de setembro de 2024 na Palestina ocupada e levado por forças israelenses à prisão de Megido, em território israelense”, afirmou o Itamaraty.

Nesta segunda, a Federação Árabe Palestina no Brasil cobrou o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel – tese já rechaçada pelo Itamaraty e por integrantes da embaixada israelense.

A entidade afirmou também não ser possível achar “normal” conviver com um “banho de sangue promovido pelos gângsters de Tel Aviv”.

No comunicado divulgado nesta terça, o Itamaraty cobrou do governo de Benjamin Netanyahu uma investigação “célere e independente acerca das causas do falecimento” de Walid Ahmad e que sejam divulgadas as conclusões das apurações.

Onze brasileiros residentes no Estado da Palestina seguem presos em Israel, a maioria dos quais sem terem sido formalmente acusados ou julgados, em clara violação ao Direito Internacional Humanitário”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.

Segundo o Itamaraty, o Escritório de Representação do Brasil em Ramala está em contato com a família de Walid Khalid Abdalla Ahmad e está prestando a assistência consular “cabível”.

Os contatos com a família

A GloboNews apurou que a família do jovem de 17 anos está em “compasso de espera” enquanto aguarda a liberação do corpo e informações sobre a causa da morte. O óbito foi confirmado por uma associação palestina que presta auxílio a presos e a seus familiares.

Essa mesma associação já apresentou um pedido pela liberação do corpo e aguarda o aval de um tribunal militar.

Acusado de agredir militares israelenses na Cisjordânia, o jovem palestino-brasileiro foi detido no ano passado em uma prisão em Megiddo, em Israel, e não chegou a ser julgado antes de morrer.

A GloboNews também apurou que o Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, está em contato com os familiares do brasileiro-palestino e presta apoio a eles. O governo brasileiro conversa com autoridades israelenses e aguarda explicações sobre o ocorrido.

Brasil defende cessar-fogo permanente

Desde que começou a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em outubro de 2023, o Brasil tem defendido um cessar-fogo permanente, além da entrada de ajuda humanitária para os palestinos que vivem em Gaza.

Paralelamente a essa defesa, o Brasil também tem questionado publicamente o que chama de limites éticos e legais das ações militares promovidas pelo governo de Benjamin Netanyahu; pedido que as tropas israelenses deixem completamente a Faixa de Gaza; e afirmado que israelenses agem como “colonos” com os palestinos.

Em recentes manifestações públicas, o governo brasileiro também disse “deplorar” as decisões do governo Netanyahu de impedir a entrada de ajuda humanitária em Gaza e de realizar novos bombardeios na região num contexto de cessar-fogo temporário.

Em declarações públicas, em fóruns internacionais por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado o governo Netanyahu, afirmando que estão morrendo na guerra não somente integrantes do Hamas, mas, também, crianças, mulheres e homens inocentes.

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