01/12/2023 16h00
Parte dos acusados de integrar uma quadrilha que movimentou ao menos R$ 19 milhões com agiotagem em Franca (SP) teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na quinta-feira (30).
Ao aceitar a denúncia do Ministério Público contra dez investigados na Operação “Maré Alta”, o juiz Ewerton Meirelles Gonçalves, da 2ª Vara Criminal, acatou cinco pedidos de prisão do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), manteve uma mulher, grávida, em prisão domiciliar e concedeu liberdade provisória a quatro acusados, mediante cumprimento de medidas cautelares.
O magistrado ressaltou a gravidade dos fatos apurados e atribuiu as prisões concedidas ao risco que eles causariam às investigações. Os réus respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usura.
“Saliente-se que, se soltos, os acusados, poderão influir na colheita da prova oral, ameaçando testemunhas e forjando provas, o que prejudicará, sobremaneira, ainstrução criminal.”
As denúncias incluem um acusado de chefiar o grupo, que concedia empréstimos a juros excessivos, de até 40% ao mês, além de integrantes apontados por executar as cobranças com violência e ameaças, e por ter ligações com uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, bem como financiadores dos empréstimos.
Advogados de defesa informaram ao g1 que seus clientes negam as denúncias e que pretendem entrar com recursos.
A seguir, veja quem são os acusados pela força-tarefa e qual a situação de cada um deles.
- Bruno Aparecido de Almeida Costa: acusado de ser o líder da organização criminosa. Segundo a denúncia do MP, ele fazia o intercâmbio entre executores e financiadores, garantia a prática de agiotagem pelo grupo, definia como essa cobrança deveria ser feita, além de atuar na lavagem do dinheiro ilícito obtido, segundo o MP. Está preso preventivamente.
- Natã Simões Leal: acusado de ser um dos executores da quadrilha. Segundo o MP, ele atuava na captação de potenciais clientes, explicando as condições dos empréstimos, e fazia as cobranças das dívidas com violência e ameaça a devedores e familiares. Está preso preventivamente.
- Jean Cardoso da Silva: acusado de ser um dos executores da quadrilha. Segundo o MP, ele atuava na captação de potenciais clientes, explicando as condições dos empréstimos, e fazia as cobranças das dívidas com violência e ameaça a devedores e familiares. Também é investigado por movimentar valores recebidos pela quadrilha por meio da conta bancária de terceiros. Está preso preventivamente.
- Douglas de Carvalho Rosa: também conhecido como “Dodô”. Acusado de ser um dos executores da quadrilha. Segundo o MP, ele atuava na captação de potenciais clientes, explicando as condições dos empréstimos, e fazia as cobranças das dívidas com violência e ameaça a devedores e familiares. Também é investigado por ter cedido a própria conta bancária para a movimentação de valores obtidos pela quadrilha. Está preso preventivamente.
- Wesley Henrique Paulista da Silva: acusado de ser um dos executores da quadrilha. Segundo o MP, ele atuava na captação de potenciais clientes, explicando as condições dos empréstimos, e fazia as cobranças das dívidas com violência e ameaça a devedores e familiares. De acordo com a denúncia, ele também ficava responsável por transferir valores recebidos a outros membros da quadrilha. Está preso preventivamente.
- Marcela de Pádua Lima: descrita pelo MP como a “mutualista” da quadrilha, uma pessoa que contribuía com o grupo, mas que tinha relação estreita com o líder, experiência com agiotagem e independência de atuação com relação aos demais. Além disso, é suspeita de ter ligações com outra quadrilha de agiotas em Franca, alvos da Operação Castelo de Areia. Também é acusada de conceder empréstimos a juros abusivos e usar métodos violentos e ameaçadores para exigir pagamento dos devedores. Por estar grávida, teve a prisão preventiva substituída por domiciliar.
- André de Oliveira Venâncio: também conhecido como “Andrezão”. Acusado de ser um dos financiadores da organização. Segundo o MP, ele trabalhava em instituição financeira, utilizava contas pessoais para movimentar recursos da organização criminosa e se beneficiava de sua profissão para impedir rastreios. Foi liberado provisoriamente sob a condição de comparecer à Justiça a cada dois meses, de estar proibido de manter qualquer tipo de contato com os acusados e de se ausentar da cidade sem prévia comunicação às autoridades.
- André Augusto Ferreira Ribeiro: também conhecido como “Zim”. Acusado de ser um dos financiadores da organização. De acordo com o MP, ele usava contas de uma empresa dele e da esposa para movimentar valores ilícitos. Foi liberado provisoriamente sob a condição de comparecer à Justiça a cada dois meses, de estar proibido de manter qualquer tipo de contato com os acusados e de se ausentar da cidade sem prévia comunicação às autoridades.
- Rodolfo Lomonaco Arantes: também conhecido como “Rodox”. Acusado de ser um dos financiadores da organização. Liberado provisoriamente sob a condição de comparecer à Justiça a cada dois meses, de estar proibido de manter qualquer tipo de contato com os acusados e de se ausentar da cidade sem prévia comunicação às autoridades.
- Gustavo Migueletti: também conhecido como “Migueletti”, o homem de 29 anos é acusado de ser um dos financiadores da organização. Investigado por usar contas bancárias dele e de familiares para movimentar valores da organização criminosa. Foi liberado provisoriamente sob a condição de comparecer à Justiça a cada dois meses, de estar proibido de manter qualquer tipo de contato com os acusados e de se ausentar da cidade sem prévia comunicação às autoridades.
O que dizem os réus
Advogado de defesa de Jean Cardoso da Silva, André Luis Evangelista disse que o réu negou integrar a organização criminosa, não tem antecedentes em processos criminais e que vai tentar reverter a prisão preventiva.
“Tomaremos as providências jurídicas para combater, reprimir esse decreto judicial por meio de habeas corpus ou pedido de revogação de prisão preventiva, ou custódia preventiva ao juízo do processo”, disse.
Responsável pela defesa de Douglas de Carvalho Rosa, o advogado Marcelo Hemmig disse que seu cliente nega qualquer participação na quadrilha e que entraria com um pedido de habeas corpus ainda nesta sexta-feira.
Alexandre Cesar Diniz, advogado de André de Oliveira Venâncio, disse que vai se inteirar do teor do processo antes de apresentar um posicionamento.
Advogado de defesa de Gustavo Migueletti, Márcio de Freitas Cunha informou que ainda vai avaliar o teor da denúncia antes de se manifestar, mas confirmou que seu cliente deveria ser solto ainda nesta sexta-feira, já que teve a prisão temporária revogada.