Manaus, 07/07/2026

Política

Maria do Carmo e o PL: a incoerência que salta aos olhos

Maria do Carmo e o PL: a incoerência que salta aos olhos
18/04/2025 13h20

Por Marcelo Generoso

A professora Maria do Carmo, figura conhecida no meio educacional e comunicacional do Amazonas, surpreendeu parte da opinião pública ao anunciar sua filiação ao Partido Liberal (PL), legenda comandada nacionalmente por Valdemar da Costa Neto — nome historicamente envolvido em escândalos de corrupção, como o famoso “Mensalão”, no qual foi condenado e preso. O que causa espanto não é apenas a escolha partidária em si, mas a gritante contradição entre o discurso e a prática política da professora.

Maria do Carmo tem se apresentado como uma espécie de paladina da moralidade. Em suas redes sociais, não poupa palavras para denunciar supostos atos de corrupção, abusos administrativos e interesses escusos de figuras públicas. Na Rádio Rios e no portal Rios de Notícias, ambos sob sua direção, ataques a adversários políticos têm se tornado rotina. Sob a bandeira do “combate à corrupção”, construiu uma imagem que, ao menos no discurso, pretende ser inabalável. Mas a imagem rui quando confrontada com suas escolhas.

A foto amplamente divulgada nas redes sociais onde Maria do Carmo aparece ao lado de Valdemar da Costa Neto escancara essa incoerência. Como alguém que se diz combatente da corrupção pode se alinhar a um dos principais nomes associados à prática que tanto condena? Trata-se de uma contradição gritante que fere a coerência e, sobretudo, a credibilidade de seu discurso.

E não para por aí.

É preciso relembrar o episódio envolvendo o professor Ronaldo Fernandes, que denunciou Maria do Carmo por suposto crime de caixa dois. Na ocasião, Fernandes alegou que, durante campanha anterior, a professora teria se beneficiado de recursos não declarados, levantando suspeitas que jamais foram devidamente esclarecidas. A denúncia foi abafada por seus aliados, mas segue sendo uma mancha em seu currículo político.

Ao utilizar seus próprios veículos de comunicação para atacar desafetos e blindar aliados, Maria do Carmo caminha por uma linha perigosa que separa o jornalismo da propaganda pessoal. A independência editorial, pilar fundamental de qualquer veículo sério, parece ter sido deixada de lado em nome de interesses próprios.

A filiação ao PL não apenas expõe a fragilidade de seu discurso ético, como também escancara um projeto político pessoal que ignora valores que a própria Maria do Carmo sempre disse defender. A verdade é que, no jogo do poder, coerência virou moeda rara — e Maria do Carmo acaba de provar que não está imune a esse vício.

Se a professora quer realmente ser vista como símbolo de integridade, precisa antes encarar o espelho da coerência. E, por ora, esse espelho reflete apenas contradição.

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