
A verdade é que não existe comprovação que alguma comida ou bebida aumente ou reduza a produção de leite materno. O que determina a produção de leite é a quantidade de vezes que o bebê mama no peito ou quanto mais a mãe esvazia suas mamas. Ou seja, quanto mais o bebê mamar, mais leite a mãe terá.
“Em geral, alimentos que nossas mães e avós nos dão e recomendam para aumentar a produção do leite tem muito líquido, e o líquido é importante para a produção de leite”, afirma Jorginete de Jesus Damião, professora do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo a especialista, canjas e canjicas podem ser consumidas, não porque irão aumentar a produção de leite, mas porque ajudam a hidratar. “Esses são alimentos associados ao carinho, e isso é uma prática boa, que não tem contraindicação”, explica a professora.
O que realmente é importante para manter a produção de leite é amamentar o bebê sob livre demanda, sempre que ele quiser ou que a mãe perceber que ele está com fome. “Deve-se oferecer o peito sem marcar hora e amamentar várias vezes durante o dia e a noite, quando for necessário”, complementa a nutricionista.
Não há evidências de que cerveja preta promova aumento da produção de leite. E pode até ser arriscado tomar qualquer tipo de álcool, pois ele passa para o leite materno. Portanto, cervejas não devem ser consumidas. “Durante a amamentação, não é recomendado tomar nenhum tipo de bebida com álcool, principalmente em grandes quantidades. Se a mãe quiser relaxar, deve tomar chá de capim-limão ou outro chá da sua região”, sugere a nutricionista.
É normal durante o período de amamentação a mulher sentir mais sede, devido ao esforço que o organismo dedica à produção de leite. Portanto, a dica é beber mais água que o habitual. A mãe que não tem esse hábito deve incluí-lo em seu dia a dia. “Também é possível aumentar o consumo de líquidos tomando chás. Só os chás estimulantes não são recomendados. Lembrando que não precisa colocar açúcar no chá”, adverte Jorginete.
Não existe leite fraco. O leite materno tem todas as substâncias e vitaminas na quantidade certa que o bebê precisa para crescer e se desenvolver sadio. “Toda mãe, independentemente da origem e classe social, produz o melhor leite para o seu filho. É natural comer um pouco mais ou sentir mais fome e sede durante a amamentação, pois a mulher está gastando energia para produzir o leite. Deve-se prestar atenção à escolha dos alimentos optando sempre pelos mais saudáveis”, ensina Jorginete.
A orientação para se ter uma alimentação saudável é consumir o máximo possível de alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes, e preparações ou receitas feitas em casa. Os alimentos ultraprocessados, feitos pela indústria, que vem nas caixinhas ou embalagens, prontos para aquecer, em geral tem muito sódio e devem ser evitados, pois favorecem doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer, além de contribuírem para o risco de deficiências nutricionais.
Mais informações sobre amamentação, introdução alimentar, alimentação infantil (quais alimentos escolher, como prepara-los e oferecê-los) estão disponíveis no Guia alimentar para crianças menores de 2 anos, publicação do Ministério da Saúde.
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