
O elefante asiático Tamy, de 55 anos, morreu nesta segunda-feira (23) no Bioparque de Mendoza, na Argentina, antes de completar a última e mais esperada etapa de sua vida: a transferência para o Santuário dos Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.
Tamy viveu por cerca de 30 anos em cativeiro no antigo zoológico de Mendoza e estava sozinho desde 2022, quando sua companheira Pocha e a filha Guillermina foram levadas ao santuário brasileiro. Desde então, aguardava a construção de um recinto adequado para machos — estrutura que só ficou pronta recentemente.
Segundo o SEB, nas últimas semanas, Tamy apresentava progressos emocionantes: havia começado a entrar voluntariamente na caixa de transporte, uma etapa essencial para a viagem. Ele também já respondia com mais confiança aos tratadores e aos estímulos diários, sinalizando que, enfim, estava pronto para deixar para trás os muros do cativeiro.
No entanto, o elefante vinha enfrentando problemas de saúde severos, como dores articulares crônicas e limitações físicas agravadas pelos anos de confinamento extremo. A causa da morte ainda será confirmada por meio de necropsia.
“É com o coração pesado que anunciamos a morte de Tamy”, escreveu o SEB em nota oficial. “Embora a notícia seja chocante, ela representa o que o cativeiro pode causar a um indivíduo — especialmente ao longo de décadas.”
Tamy foi doado ao zoológico em 1984, após anos sendo explorado pelo Circo Hermanos Gasca, onde foi treinado com métodos punitivos desde filhote. A experiência deixou marcas profundas: o animal se tornou arredio, desconfiado e emocionalmente retraído, exigindo cuidados e preparação muito mais delicados do que os exigidos por outras elefantas já transferidas para o santuário.
Apesar disso, nos últimos meses, Tamy começou a revelar sua verdadeira essência. “Por trás da rigidez, havia doçura. Quando se sentia seguro, deixava transparecer uma alma gentil, que ansiava por confiança e liberdade”, disse a equipe do SEB.
A morte de Tamy interrompe o sonho de uma vida em liberdade, mas deixa um legado: o de mostrar ao mundo os efeitos duradouros do confinamento em animais silvestres. “Ele estava iniciando sua jornada emocional rumo à liberdade, mesmo sem ter dado ainda os primeiros passos físicos para fora de Mendoza”, diz o comunicado do santuário.

Pocha, sua companheira, faleceu cinco meses após chegar ao Brasil. Já Guillermina, a filha do casal, segue viva no SEB e apresenta evolução comportamental positiva.
“Guardaremos com carinho os pequenos vislumbres da verdadeira essência de Tamy — aquela parte linda e profunda dele que foi escondida por décadas, mas que sabíamos que era quem ele realmente era”, concluiu a equipe.
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