
A Associação Nacional de Jornalismo Digital (ANJD) vem a público manifestar veemente repúdio à conduta da jornalista Cynthia da Silva Pinheiro, conhecida publicamente como Cintia Blink, diante de conteúdos recentemente veiculados em seu canal de comunicação, nos quais faz uso indevido, jocoso e desrespeitoso da Bíblia Sagrada, bem como debocha de líderes religiosos cristãos, especialmente pastores evangélicos, em razão de suas posições políticas e de apoio a determinados candidatos.
A Bíblia Sagrada não é um objeto cênico, nem instrumento de escárnio. Trata-se do livro mais sagrado para milhões de cristãos no Brasil e no mundo, fundamento espiritual, moral e histórico de uma fé que sustenta famílias, comunidades e projetos sociais relevantes para o país. Ridicularizar símbolos religiosos, utilizando-se de ironias, “encenações” e manifestações desrespeitosas, ultrapassa o limite da crítica jornalística e adentra o campo da intolerância religiosa.
A liberdade de imprensa, pilar fundamental da democracia, não é salvo-conduto para o desprezo, a zombaria ou a humilhação pública de crenças religiosas. O jornalismo sério se baseia em informação, análise crítica responsável e respeito à diversidade, jamais na desqualificação simbólica da fé alheia.
Do ponto de vista ético-profissional, tal atitude fere frontalmente os princípios do jornalismo, maculando a credibilidade da profissão e manchando o nome de todos os jornalistas que atuam com responsabilidade, equilíbrio e compromisso social. Quando um profissional da comunicação confunde crítica política com ataque à fé, enfraquece a imprensa e fortalece a polarização do ódio.
Sob o aspecto jurídico, é importante registrar que condutas dessa natureza podem, em tese, ser analisadas à luz de dispositivos legais que tratam de:
Intolerância e discriminação religiosa;
Vilipêndio de objeto de culto religioso;
Abuso do direito à liberdade de expressão, quando há extrapolação para o desrespeito coletivo e simbólico.
Não cabe à ANJD fazer juízo de culpa, mas alertar as autoridades competentes, inclusive instituições religiosas, conselhos profissionais e órgãos de fiscalização, para que reflitam sobre os limites éticos e legais que devem nortear o exercício da comunicação social.
O Brasil é um Estado laico, mas não é um Estado antirreligioso. A laicidade garante o respeito a todas as crenças — e não a permissão para ridicularizá-las. Pastores, padres, líderes religiosos e fiéis têm direito à sua fé, à sua voz e à sua participação no debate público, assim como qualquer outro cidadão.
A Associação Nacional de Jornalismo Digital reafirma seu compromisso com um jornalismo livre, responsável, plural e respeitoso, e reitera que não compactua com práticas que promovam escárnio religioso, intolerância ou uso irresponsável da comunicação para ataques simbólicos à fé cristã ou a qualquer outra crença.
O silêncio diante desse tipo de conduta seria conivência. Repudiar é um dever institucional, ético e moral.
Manaus – AM,
18 de dezembro de 2025.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNALISMO DIGITAL – ANJD
Marcelo Generoso – Presidente da ANJD
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