
Pais e responsáveis de alunos da Escola Estadual Getúlio Vargas, localizada no bairro São Francisco, zona sul de Manaus, denunciam a forma como a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (SEDUC-AM) e a gestora da unidade, Ana Carla Xavier, conduziram a mudança nos horários e na divisão dos turnos escolares.
De acordo com relatos de um grupo de pais, a decisão foi comunicada sem debate prévio com a comunidade escolar. A nova organização determina que, a partir do próximo ano letivo, os alunos do 1º ao 5º ano estudem apenas no turno matutino, enquanto os estudantes do 6º ao 9º ano passarão a ter aulas no período vespertino.
O grupo afirma que nenhum estudo ou justificativa técnica foi apresentado. Segundo a gestora, a mudança teria sido embasada em uma análise do setor de Estatística da SEDUC-AM, mas pais, professores e funcionários não tiveram acesso ao documento.
“Por que a comunidade escolar não foi consultada? Por que fomos apenas comunicados de uma decisão já tomada?”, questionam os responsáveis, em documento encaminhado à Secretaria.
Os pais também contestam a condução da reunião em que a alteração foi anunciada. Conforme os relatos, a gestora teria convocado o encontro apenas para o turno matutino, dificultando a participação das famílias de alunos do vespertino. Além disso, a assinatura do livro de ata foi solicitada antes mesmo do início da reunião, o que levantou suspeitas sobre a transparência do processo.
“Assinamos algo sem sequer termos sido informados do conteúdo da reunião. Isso não é diálogo, é imposição”, diz uma mãe, que preferiu não se identificar.
As famílias destacam que a mudança afetará diretamente a logística e a rotina de trabalho dos responsáveis. Muitas delas contam com filhos mais velhos, dos anos finais, para auxiliar nos cuidados com irmãos menores.
Segundo o grupo, o novo formato também ignora a dinâmica escolar já consolidada na região.
“O bairro São Francisco possui uma estrutura organizada entre escolas municipais e estaduais. Essa alteração desestrutura toda a rede e dificulta o cotidiano das famílias”, pontuam os responsáveis.
Entre as principais demandas apresentadas pelo grupo estão:
Os responsáveis afirmam que não são contrários a ajustes pedagógicos, mas exigem transparência, diálogo e respeito com a comunidade escolar.
“Não somos contra melhorias. Mas decisões que impactam diretamente nossas famílias precisam ser discutidas, não impostas”, conclui o grupo.
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