
O Grupo Boticário decidiu banir a expressão “Black Friday” de suas campanhas por considerar que o termo pode soar racista. Na decisão, comunicada nesta terça-feira (29) pelo CEO da marca, Artur Grynbaum afirma que “há anos” a empresa vem debatendo a origem da expressão e que sua exclusão se dá em respeito aos “movimentos que sentem desconforto com o termo”.
– A dois meses da ‘Black Friday’, um dos períodos mais relevantes do ano para o varejo e a data mais importante para o comércio eletrônico em todo o mundo, nos deparamos com um incômodo recorrente: há anos conversamos sobre a possível origem do termo ‘Black Friday’, sobre a ausência de dados científicos que comprovem que ele realmente não se relaciona à questão da escravatura. Então, respeitando os movimentos que sentem desconforto com o termo, decidimos parar de refletir e começar a agir – não teremos mais o termo Black Friday no Grupo Boticário. Precisamos de algo maior, e essa transformação deve começar por nós. Esse movimento emergiu nas equipes do Grupo Boticário, a discussão ganhou força, e esse é o resultado – escreveu Grynbaum no LinkedIn.
O executivo admite também que a mudança pode trazer prejuízos para a empresa, mas defende que “melhor que esperar a perfeição, é construir juntos aquilo em que acreditamos”.
No lugar de “Black Friday”, o Boticário passará a usar o termo “Beauty Week” (Semana da Beleza).
SEM EVIDÊNCIAS DE ORIGEM RACISTA
Não há estudos e nem dados que comprovem que a tradicional semana de descontos tenha relação histórica com o tráfico de escravos. Uma checagem dos analistas do Fato ou Fake, do Grupo Globo, desmentiu um boato sobre o tema.
De acordo com historiadores, o primeiro registro do termo Black Friday nos EUA aconteceu em 24 de setembro de 1869, seis anos após a escravidão ser abolida no país.
Outra origem apontada remonta ao ano de 1951, quando patrões cunharam o termo para identificar a temporada de promoções. Neste caso, o Black Friday seria uma ironia às varias faltas de empregados na sexta-feira seguinte ao feriado de Ação de Graças, comemorada no dia 26 de novembro.
O termo também se popularizou na década de 1960 entre policiais, que viam uma expressiva piora no trânsito por causa do alto número de motoristas e de pedestres indo às ruas para fazer compras. O congestionamento acontecia sempre na sexta e no sábado após o Dia de Ação de Graças.
Já no Brasil, o termo é usado desde 2010.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.