Manaus, 26/07/2026

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Polícia indicia três guardas municipais por morte de jovem em Manaus

Familiares chegaram a fechar a avenida Brasil, no bairro Compensa, em protesto pela porte do jovem Bruno Girão, em fevereiro (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)
Familiares chegaram a fechar a avenida Brasil, no bairro Compensa, em protesto pela porte do jovem Bruno Girão, em fevereiro (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)
08/05/2026 16h15

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), concluiu o inquérito policial que investiga a morte de Bruno dos Santos Girão, de 22 anos, e pediu o indiciamento de três agentes da Guarda Municipal de Manaus (GMM) pelo crime de homicídio.

Após mais de dois meses da morte do jovem, assassinado a tiros no beco União, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, o inquérito que apura o caso foi concluído na última quarta-feira (06/05). Foram indiciados por homicídio Hawan Lima Aguiar, Guilherme Pinheiro Braide e Ataíde Fernandes Romeiro Júnior, suspeitos de envolvimento no crime.

Em nota, a família de Bruno afirmou que o indiciamento não representa a condenação definitiva dos guardas municipais, mas sustenta juridicamente a existência de materialidade e indícios de autoria contra os suspeitos.

“Embora o indiciamento não represente condenação definitiva, trata-se de ato jurídico fundamentado na existência de materialidade e indícios suficientes de autoria colhidos ao longo da investigação criminal, após análise de depoimentos, laudos periciais, versões apresentadas e demais elementos constantes dos autos”, afirmou a nota.

Sobre o caso

Bruno dos Santos Girão, de 22 anos, foi morto a tiros no beco União, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, em fevereiro deste ano, durante uma abordagem de agentes da Guarda Municipal de Manaus.

De acordo com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a vítima foi atingida por um disparo de arma de fogo efetuado por autor não identificado. Conforme relato da Guarda Municipal, a equipe realizava patrulhamento pela avenida Brasil quando avistou dois homens correndo em direção a um beco e fugindo, em seguida, para destino ignorado.

O jovem apresentava uma perfuração por arma de fogo na região direita do tórax e foi encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. No entanto, não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade hospitalar.

Contrariando a versão apresentada pelos guardas, familiares de Bruno afirmam que a morte do jovem teria relação com uma abordagem da Guarda Municipal. Segundo eles, Bruno teria sido executado durante a ação.

Confira a nota da família de Bruno Girão na íntegra:

A assistência de acusação da família de Bruno Girão manifesta que o indiciamento realizado pela Polícia Civil do Estado do Amazonas representa um marco importante dentro da busca por justiça e verdade acerca da morte do jovem Bruno Girão, de apenas 22 anos.

Embora o indiciamento não represente condenação definitiva, trata-se de ato jurídico fundamentado na existência de materialidade e indícios suficientes de autoria colhidos ao longo da investigação criminal, após análise de depoimentos, laudos periciais, versões apresentadas e demais elementos constantes dos autos.

A família recebe essa decisão com esperança e senso de responsabilidade, pois ela demonstra que os fatos não foram ignorados pelas autoridades investigativas. Após semanas de dor, insegurança e intenso clamor social por respostas, o avanço das investigações simboliza que a vida de Bruno não será reduzida ao silêncio ou ao esquecimento.

Também é impossível ignorar que, desde os primeiros momentos do caso, houve forte sentimento de ausência de transparência e insuficiência de informações claras por parte da Guarda Municipal de Manaus, circunstância que contribuiu para ampliar a angústia da família e da sociedade diante da gravidade dos fatos investigados. Em episódios dessa natureza, espera-se das instituições públicas máxima colaboração, clareza e compromisso com a verdade.

Importante registrar que o caso já se encontra em juízo, tramitando perante a Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, local constitucionalmente competente para o processamento e julgamento de crimes dolosos contra a vida. A judicialização do caso representa mais um passo relevante para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos sob o crivo do contraditório, da ampla defesa e da legalidade.

A assistência de acusação reafirma que não busca condenações antecipadas nem atua movida por espetáculo ou exposição pública. O compromisso da família sempre foi e continuará sendo exclusivamente com a verdade, com o devido processo legal e com a responsabilização de todos aqueles que eventualmente tenham concorrido para os fatos, na forma da lei.

O indiciamento não encerra esta caminhada. Ele apenas confirma que existiam elementos suficientemente graves para que a investigação avançasse formalmente. A luta pela memória, pela honra e pela justiça em nome de Bruno Girão continua.

Com informações Portal A Critica

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