Manaus, 19/07/2026

Saúde

Procura por tratamento contra o tabagismo quase dobra no SUS em três anos

Foto: Banco Mundial/ONU
Foto: Banco Mundial/ONU
02/06/2026 11h50

O número de brasileiros que procuraram tratamento para parar de fumar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2025, mais de 2,5 milhões de pessoas recorreram aos serviços oferecidos pela rede pública, volume 95% superior ao registrado em 2022, quando cerca de 1,2 milhão de usuários buscaram apoio para abandonar o tabagismo.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o avanço está relacionado à ampliação das ações de combate ao cigarro na atenção primária, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). As atividades coletivas destinadas a fumantes, como rodas de conversa, encontros educativos e grupos de apoio conduzidos por profissionais da saúde, passaram de 61,9 mil para 157,1 mil no período analisado.

O número de participantes dessas iniciativas também apresentou forte crescimento, saltando de aproximadamente 1 milhão para 2,1 milhões de pessoas.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os resultados refletem a ampliação da estrutura de atendimento e o fortalecimento das equipes responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes.

O governo federal atribui parte desse avanço à expansão das equipes da Atenção Primária à Saúde. Nos últimos anos, houve um aumento de 21,8 mil equipes formadas por profissionais da Estratégia Saúde da Família, equipes multiprofissionais e serviços especializados em saúde bucal. Atualmente, a rede conta com mais de 104 mil equipes distribuídas pelo país.

Apesar da maior procura pelos tratamentos, especialistas alertam que o tabagismo continua sendo um importante desafio de saúde pública. O crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar e de produtos contendo nicotina sintética tem preocupado autoridades sanitárias, especialmente entre os jovens.

Dados do sistema Vigitel apontam que, em 2024, o uso desses dispositivos entre pessoas de 18 a 24 anos atingiu 10,1%, o maior percentual já registrado para essa faixa etária. Entre a população adulta, a proporção de pessoas que fumam cigarros convencionais ou utilizam cigarros eletrônicos também apresentou aumento em comparação aos índices observados nos anos anteriores.

Para quem deseja abandonar o vício, o SUS oferece gratuitamente os chamados Grupos de Cessação do Tabagismo, disponíveis nas unidades de saúde de referência. O atendimento envolve acompanhamento individual e coletivo realizado por equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros e farmacêuticos.

As atividades utilizam técnicas baseadas na abordagem cognitivo-comportamental, com o objetivo de auxiliar os participantes na redução gradual do consumo de tabaco até a interrupção completa do hábito.

Quando necessário, o tratamento também pode incluir suporte medicamentoso, como adesivos, gomas e pastilhas de nicotina, além do uso de medicamentos específicos, entre eles a bupropiona. Todos os recursos são disponibilizados gratuitamente pelo SUS.

O tratamento intensivo costuma durar cerca de três meses, seguido por monitoramento contínuo ao longo de um ano. A iniciativa integra o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das estratégias mais eficazes de combate ao fumo no mundo.

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