Manaus, 28/06/2026

Saúde

Saiba porque as injeções para emagrecer não funcionam para todos

Saiba porque as injeções para emagrecer não funcionam para todos
28/06/2026 17h00

Os medicamentos à base de semaglutida (como Ozempic e Wegovy) revolucionaram o tratamento da obesidade, promovendo uma perda média de até 15% do peso corporal. Ao imitarem o hormônio intestinal GLP-1, essas injeções regulam o açúcar no sangue, retardam o esvaziamento do estômago e avisam o cérebro que é hora de parar de comer.

Apesar do sucesso estrondoso, a ciência acende um alerta: os medicamentos não são infalíveis. Entre 10% e 30% dos pacientes são classificados como “não respondentes” — pessoas que perdem menos de 5% do peso após seis meses na dose máxima.

Abaixo, entenda os fatores biológicos, genéticos e comportamentais que bloqueiam o efeito dessas substâncias.

1 – O Fator Comportamental e Erros de Uso

A eficácia do tratamento depende diretamente da adesão do paciente. Estima-se que entre 20% e 60% das pessoas interrompem o uso no primeiro ano ou utilizam doses abaixo das recomendadas.

Além disso, outros sabotadores de rotina e saúde incluem:

  • Problemas metabólicos: Condições como a resistência à insulina bloqueiam a ação do medicamento.
  • Privação de sono: Noites mal dormidas retardam a liberação natural de GLP-1 do próprio corpo.
  • Interações medicamentosas: O uso de corticoides ou psicotrópicos (como certos antidepressivos) pode induzir o ganho de peso e anular o efeito das injeções.

2 – Biologia e Gênero: Mulheres respondem melhor?

A resposta ao tratamento também varia de acordo com o sexo. Uma ampla revisão de 47 ensaios clínicos (com mais de 23 mil pacientes) revelou que o perfil ideal para o sucesso do medicamento é composto por mulheres, jovens e sem diagnóstico de diabetes.

O papel do estrogênio: Mulheres tendem a perder mais peso que os homens em parte devido aos níveis elevados de estrogênio, hormônio que naturalmente melhora a sensibilidade à insulina e estimula a secreção de GLP-1.

3 – A Barreira Genética

A genética individual pode criar uma verdadeira imunidade aos medicamentos:

Mutação no gene PAM: Presente em cerca de 10% da população, essa variação faz com que a pessoa tenha níveis altos de GLP-1 no sangue, mas sem o efeito biológico esperado. É necessária uma dose muito maior para obter o mesmo resultado.

Variações nos receptores GLP-1R e GIPR: Mutações nesses genes alteram a eficácia e os efeitos colaterais. Pacientes com essas variantes genéticas costumam ter IMC mais elevado e maior propensão a distúrbios metabólicos, como o diabetes tipo 1.

4 – Os “Quatro Tipos de Fome” e a Causa da Obesidade

A obesidade é multifatorial. Se a raiz do ganho de peso de um paciente não for o alvo do medicamento, o resultado será frustrante.

A medicina divide o apetite em quatro categorias e dita a melhor estratégia para cada uma:

Tipo de FomeO que significa? Estratégia de Sucesso
Fome IntestinalNecessidade fisiológica real de comer.Dieta rica em proteínas e fibras potencializa o GLP-1.
Fome CerebralImpulso de comer por hábito ou estresse crônico.Migração para agonistas duplos, como a tirzepatida (Mounjaro).
Fome EmocionalComer para compensar sentimentos, ansiedade ou depressão.O GLP-1 não funciona bem sozinho. Exige Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) associada.
Fome de Queima LentaTaxa metabólica de repouso muito baixa (gasta pouca energia)Exercícios de resistência (musculação) para acelerar o metabolismo.

O Futuro: Medicina de Precisão

O fato de os emagrecedores do momento não funcionarem para todo mundo reforça que a obesidade não tem uma solução única. O próximo passo da ciência é a medicina de precisão: o cruzamento de testes genéticos e análise do estilo de vida para prescrever a medicação exata para o organismo de cada paciente.

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