Manaus, 26/07/2026

Amazonas

Setembro Amarelo: Amazonas registra alta taxa de suicídio entre jovens e enfrenta grandes desafios no enfrentamento

Setembro Amarelo: Amazonas registra alta taxa de suicídio entre jovens e enfrenta grandes desafios no enfrentamento
03/09/2025 12h15

Manaus (AM) – O mês de setembro marca a campanha nacional de prevenção ao suicídio, conhecida como Setembro Amarelo, e no Amazonas o alerta ganha contornos ainda mais urgentes. Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), apenas em 2023 o estado registrou 332 óbitos por suicídio, o que representa uma taxa de mortalidade de 7,8 por 100 mil habitantes.

A situação é especialmente grave entre os jovens. De acordo com o Atlas da Violência 2025, entre os anos de 2013 e 2023, a taxa de suicídio entre pessoas de 10 a 19 anos aumentou 24,7% no estado. Especialistas apontam para fatores emocionais, sociais e psicológicos que afetam diretamente essa faixa etária.

“Os adolescentes passam por mudanças hormonais e físicas e estão sempre muito expostos à pressão das redes sociais, vulneráveis ao sofrimento psíquico. Muitas vezes, o isolamento, a irritabilidade, a queda no rendimento escolar ou até falas sobre morte, são vistos como drama da idade”, explica a psicóloga e especialista em Saúde Mental, Maria do Carmo Lopes.

Ela destaca que um dos erros mais graves cometidos por familiares é ignorar os sinais. “O jovem pode estar pedindo ajuda, e é fundamental que familiares mantenham o diálogo aberto e atento. Não se pode virar as costas quando esse jovem está apresentando todos os sinais de depressão, achar que isso é um problema normal da idade”, alerta.

Outro desafio enfrentado é o tabu em torno do tema, que, segundo a especialista, ainda afasta muitas pessoas do apoio necessário. “Tratar o tema como tabu só afasta as pessoas da ajuda que precisam”, enfatiza.

Neste ano, a campanha Setembro Amarelo tem como lema “Se precisar, peça ajuda”, reforçando a importância de falar sobre o tema e buscar apoio emocional e psicológico. Para Maria do Carmo, escolas, universidades e comunidades devem assumir um papel ativo na prevenção, promovendo rodas de conversa, palestras e ações educativas.

“É necessário criar espaços seguros onde adolescentes e jovens se sintam ouvidos e acolhidos. A prevenção começa com informação e empatia”, conclui.

Onde buscar ajuda

Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento emocional, procure ajuda profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimento gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.

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