Manaus, 19/07/2026

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Teatro do oprimido e o impacto na sociedade

Teatro do oprimido e o impacto na sociedade
06/02/2026 16h30

MANAUS (AM) – O que acontece quando o teatro deixa os palcos convencionais e se torna uma tecnologia de escuta em centros de reabilitação, comunidades indígenas e associações de pessoas com deficiência? O balanço final do projeto “Oficinas Formativas em Teatro do Oprimido: possíveis experimentações para Narrativas (Auto)biográficas no Ensino de Ciências e a Vida” traz a resposta em números e afetos. Realizado pelo Coletivo Allegriah, o projeto encerrou seu ciclo superando a meta de público em quase 20%, alcançando 196 pessoas em cinco municípios do Amazonas.

Viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a iniciativa percorreu Manaus, Iranduba, Rio Preto da Eva, Novo Airão e Coari. O foco não foi apenas a formação estética, mas o uso da metodologia de Augusto Boal — reconhecida pela UNESCO — para transformar realidades e ensaiar mudanças sociais.

Uma Travessia por Territórios de Resistência

A coordenadora geral do projeto, a escritora, atriz e arte-educadora Jackeline Monteiro, define a jornada como um “atravessamento bonito e necessário”. Para ela, o projeto revelou a desigualdade no acesso à cultura, mas também a resiliência das populações periféricas.

“Encontramos histórias distintas, corpos diversos e tempos desiguais de acesso à cultura. Havia quem estivesse pisando pela primeira vez no território da arte. Dói reconhecer que o teatro ainda não chega a tantos municípios, mas alegra profundamente poder ser ponte e abrir frestas onde antes havia silêncio”, reflete Jackeline.

A coordenadora ressalta que a presença de migrantes e refugiados nas oficinas em Manaus e na Região Metropolitana ampliou o sentido da atividade. “Todas essas presenças ampliaram o sentido de pertencimento, resistência e cuidado coletivo”, pontua.

O Mapa da Transformação: Dos Centros de Reabilitação às Escolas Indígenas

O balanço detalhado por município demonstra a capilaridade do projeto e a diversidade de públicos atendidos:

Manaus: No Centro Espírita Casa do Caminho (Zona Norte), 36 participantes, entre crianças e idosas, transformaram o espaço em um território de afeto.

Novo Airão: O teatro chegou à Fundação Almerinda Malaquias e à Escola Indígena Juruti (Comunidade Maku Ita), onde 33 pessoas, entre jovens e adultos, utilizaram o corpo e o silêncio como ferramentas de expressão.

Rio Preto da Eva e Iranduba: Em parceria com a Escola de Egressos (UEA), o projeto atuou no Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz e no Lar Terapêutico Ágape. Ao todo, 73 internos em processo de reconstrução de vida experimentaram o teatro como possibilidade de reinvenção.

Coari: Em uma parceria sensível com o músico Kerby Groove na Associação Pestalozzi, 55 pessoas com e sem deficiência vivenciaram o teatro e a música como ferramentas de inclusão.

Economia Criativa e o Legado Digital

Para além das oficinas, o Coletivo Allegriah movimentou a economia local ao contratar produtores e monitores aprendizes em cada cidade visitada. “A cultura se faz em rede, com gente do lugar e compromisso”, afirma a coordenação.

O projeto agora entra em sua fase de encerramento simbólico e difusão de conhecimento. Uma série de lives formativas, com a participação de mestres e doutores como Caroline Barroncas, Mônica Aikawa e Osmarina Lima, já está disponível para o público. Os encontros debatem temas como práticas emancipatórias e a interseção entre arte e política.

“O que fica é a certeza: onde o teatro chega, algo se move. E quando ele chega pelo viés da inclusão, não é apenas arte, é direito, é cuidado, é vida em cena”, finaliza Jackeline Monteiro.

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