Manaus, 19/07/2026

Justiça

Tribunal julga nesta segunda os réus pela morte de policial militar

Tribunal julga nesta segunda os réus pela morte de policial militar
29/09/2025 09h45

Manaus – Teve início nesta segunda-feira (29), em Manaus, o julgamento dos cinco policiais militares acusados de envolvimento no assassinato da soldado Deusiane da Silva Pinheiro, ocorrido em 2015. À época com 26 anos, a policial foi encontrada morta no dia 1º de abril daquele ano, com ferimento de arma de fogo, nas instalações da base flutuante do Batalhão Ambiental da PM, localizada no rio Tarumã, zona oeste da capital.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), em julho de 2017, aponta o cabo PM Elson dos Santos Brito como o autor do disparo que tirou a vida de Deusiane. Outros quatro policiais os cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza e Narcízio Guimarães Neto, além do soldado Júlio Henrique da Silva Gama foram denunciados por falso testemunho, por supostamente terem colaborado com a tentativa de encobrir o crime.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, versão sustentada por Elson e confirmada pelos colegas que estavam no local no momento do ocorrido. No entanto, os laudos periciais e os depoimentos colhidos durante a investigação contradizem essa narrativa. Segundo o promotor de Justiça Edinaldo Aquino Medeiros, Elson teria assassinado Deusiane, trocado o ferrolho de sua arma com o de outra, e apresentado esta última como a suposta arma do suicídio.

A perícia revelou que a arma apresentada estava, na verdade, registrada em nome do sargento B. Andrade e que o ferrolho parte da arma onde se encontrou maior concentração de sangue da vítima pertencia à arma oficialmente acautelada para Elson. A troca teria contado com a colaboração dos demais acusados, o que reforça a suspeita de tentativa de acobertamento.

No momento do crime, apenas Elson e Deusiane estavam no andar superior da embarcação “Peixe-Boi”. Os demais militares encontravam-se no piso inferior e afirmaram ter ouvido um disparo, subindo logo em seguida e encontrando a vítima ferida ao lado do acusado.

Testemunhas próximas relataram que o casal vivia uma relação marcada por ciúmes e conflitos. A situação teria se agravado após Elson reatar com a ex-companheira, mesmo insistindo em manter o relacionamento com Deusiane. A jovem, insatisfeita com o triângulo amoroso, teria pressionado por uma decisão definitiva — o que, segundo a acusação, teria motivado o crime.

O caso se arrasta na Justiça há mais de uma década. Desde o início, a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tem prestado apoio psicológico, jurídico e social à família da vítima. A deputada Alessandra Campêlo, que acompanha o processo desde 2015, quando assumiu seu primeiro mandato, reforça que o crime é tratado como feminicídio, embora, na época, tenha sido inicialmente tipificado como homicídio qualificado.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.