
Imagens registradas no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros a oeste de Manaus), mostram um grupo de indígenas do povo Korubo se deslocando pelas águas de um rio local. De acordo com relatos da população, o grupo estaria navegando em direção a áreas com maior presença humana, movimento que passou a acompanhar a rotina e a atenção dos moradores da região.
Os Korubo — conhecidos historicamente pelo termo “caceteiros” devido ao uso tradicional de bordunas como instrumento de defesa e caça — habitam a Terra Indígena (TI) Vale do Javari. Enquanto parte de sua população já passou pelo processo de recente contato, outros grupos mantêm-se estritamente em isolamento voluntário.
A aproximação desse grupo causa apreensão entre comunitários locais, reflexo de um histórico de conflitos e episódios de tensão registrados ao longo das últimas décadas na calha dos rios do Vale do Javari.
Especialistas e indigenistas, no entanto, reforçam que essa memória de atritos também carrega marcas profundas de violência sofrida pelos próprios Korubo, que já foram alvos de ataques, invasões e confrontos promovidos por não indígenas na região.
A Terra Indígena Vale do Javari abrange uma área contínua de mais de 8,5 milhões de hectares — dimensão equivalente ao território da Áustria — e ostenta o título de região com a maior concentração confirmada de povos indígenas em situação de isolamento voluntário e de recente contato de todo o planeta.
A circulação e o monitoramento desses grupos exigem atuação rigorosa dos órgãos de proteção socioambiental, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a União das Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), para evitar contágios por doenças, garantir a integridade física dos indígenas e prevenir invasões ilegais de caçadores, pescadores e garimpeiros no território.
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