
Um levantamento divulgado pelo projeto Atlas ODS Amazônia revelou que o Amazonas possui o menor desempenho médio entre os estados da Amazônia Legal no Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS). Com média de 51,5 pontos, o estado ficou abaixo da média regional, que alcançou 55,5 pontos entre os 772 municípios avaliados.
O estudo, que marca os sete anos de atuação do projeto voltado ao monitoramento do desenvolvimento sustentável na região amazônica, evidencia os obstáculos enfrentados pelo estado em áreas como combate às desigualdades, acesso a serviços públicos e infraestrutura.
A análise estadual foi elaborada com base na mediana dos índices municipais, metodologia que busca retratar de forma mais fiel a realidade dos estados ao reduzir o impacto de resultados isolados. Mesmo contando com Manaus entre os municípios mais bem colocados, o Amazonas apresentou o desempenho médio mais baixo da Amazônia Legal.
Os dados também mostram um forte contraste entre os municípios amazonenses. Manaus lidera o ranking estadual com 66,68 pontos, enquanto São Gabriel da Cachoeira aparece na última posição entre os 62 municípios avaliados, registrando 43,83 pontos.
Além da capital, municípios como Itacoatiara, Tefé, Presidente Figueiredo e Parintins figuram entre os melhores desempenhos do estado. Já cidades como Itamarati, Juruá, Maraã e Pauini estão entre as que enfrentam maiores dificuldades em indicadores ligados à infraestrutura, conectividade e acesso a serviços essenciais.
Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, os resultados refletem a concentração populacional e econômica em Manaus e as limitações estruturais enfrentadas pelos municípios do interior. Ele destaca que grande parte da riqueza, da arrecadação pública e da atividade econômica do estado está concentrada na capital, enquanto diversas cidades ainda convivem com dificuldades históricas em áreas como saúde, educação, saneamento e transporte.
De acordo com o pesquisador, regiões mais remotas, como Alto Rio Negro, Alto Solimões e Médio e Alto Juruá, enfrentam desafios adicionais devido às grandes distâncias geográficas, aos elevados custos logísticos e à limitada presença de infraestrutura básica.
Entre os principais gargalos identificados pelo levantamento estão os indicadores relacionados à erradicação da pobreza, segurança alimentar e desenvolvimento de infraestrutura e inovação. O estudo aponta que o fortalecimento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades regionais será fundamental para ampliar o acesso da população do interior às oportunidades previstas pela Agenda 2030.
Para ampliar o acesso às informações, o Atlas ODS Amazônia lançou uma plataforma digital que reúne 109 indicadores sobre os 772 municípios da Amazônia Legal. A ferramenta permite acompanhar o avanço das metas de desenvolvimento sustentável e auxiliar gestores, pesquisadores e a sociedade na definição de prioridades para políticas públicas.
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