Manaus, 14/07/2026

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Arqueólogos encontram tumbas com misteriosas ‘línguas de ouro’ de 2 mil anos

Arqueólogos encontram tumbas com misteriosas ‘línguas de ouro’ de 2 mil anos
14/07/2026 10h30

Arqueólogos encontraram 18 tumbas de cerca de 2.000 anos na cidade de Marina el-Alamein, na costa do Mediterrâneo, no Egito, contendo dezenas de artefatos raros, incluindo 24 misteriosas “línguas de ouro”. Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, os objetos eram colocados na boca dos mortos como amuletos para ajudá-los a falar durante a jornada para a vida após a morte.

As sepulturas foram datadas dos períodos ptolomaico (322 a.C. a 30 a.C.) e romano (30 a.C. a 395 d.C.), fases marcadas pela influência grega e, posteriormente, pela incorporação do Egito ao Império Romano. Das 18 tumbas descobertas, 11 foram escavadas em grandes profundidades, enquanto as outras sete estavam mais próximas da superfície.

Além das línguas de ouro, os pesquisadores localizaram um altar de oferendas cuja base lembra uma “porta falsa”, um dos elementos mais simbólicos da arquitetura funerária egípcia. De acordo com especialistas, esse tipo de estrutura representava a passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos, permitindo que o falecido recebesse espiritualmente as oferendas feitas pelos familiares.

As chamadas línguas de ouro já haviam sido encontradas em outras escavações no Egito, principalmente em sepultamentos dos períodos ptolomaico e romano. Os antigos egípcios acreditavam que o ouro era a “carne dos deuses” e que esses amuletos permitiam aos mortos falar diante de Osíris, divindade responsável por julgar as almas, além de recitar fórmulas sagradas no além.

Entre os objetos recuperados, um chamou atenção dos arqueólogos por ter o formato do Olho de Hórus, símbolo associado à proteção, à cura e ao poder. No entanto, alguns especialistas avaliam que determinados artefatos ainda precisam de estudos mais detalhados para confirmar se realmente representam línguas de ouro ou outros objetos cerimoniais.

As escavações também revelaram um sarcófago de granito de 2,5 metros de comprimento, ainda fechado quando foi encontrado. Os pesquisadores analisam os restos mortais preservados em seu interior. Outro destaque foi uma estátua inacabada da deusa grega Afrodite, evidência da forte influência da cultura helenística na região durante aquele período.

Segundo os arqueólogos, as novas descobertas reforçam que Marina el-Alamein era uma comunidade multicultural, em que tradições egípcias e greco-romanas conviviam e se misturavam tanto na vida cotidiana quanto nos rituais funerários. A equipe acredita que análises futuras dos artefatos e dos esqueletos poderão revelar mais detalhes sobre as crenças, costumes e a composição da população que viveu na região há aproximadamente dois milênios.

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