Manaus, 21/07/2026

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AVÓ DEIXOU FAMÍLIA PARA DAR UMA VOLTA AO MUNDO

AVÓ DEIXOU FAMÍLIA PARA DAR UMA VOLTA AO MUNDO
30/03/2019 21h36

Perto de encerrar sua temporada no Vietnã, a aposentada Josefa Feitosa destaca uma preocupação sobre os rumos de sua viagem. Não é sobre o trânsito caótico da cidade de Ho Chi Minh, as comidas apimentadas ou a dificuldade de entender a língua local. “É que as páginas do meu passaporte estão acabando”, explica a cearense de 59 anos, que deixou a vida no Brasil há dois, para dar uma volta ao mundo acompanhada só de uma mala.

A vida pós-aposentadoria de Jô, como é conhecida, é bem diferente daquela que ela levava até 2016, quando trabalhava como assistente social no sistema prisional do Ceará e vivia uma rotina de ameaças, por causa de sua atuação na defesa de mulheres transexuais.

Divorciada após um relacionamento conturbado, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

“Minha cabeça era um entulho biográfico dos outros”, relembra sobre seu trabalho de ouvir relatos e dar suporte a detentos, familiares e funcionários dos presídios. “Eu brinco e digo que resolvi me autocondenar à liberdade e escrever minha própria história”.

Em 2016, assim que se aposentou, a cearense comunicou à família que planejava deixar Fortaleza para se dedicar ao seu sonho. O resultado da aventura são quase 40 países visitados, divididos entre duas temporadas, uma na Europa e outra entre África e Ásia. No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito. Tudo devidamente registrado em uma página no Facebook, Jô: minha casa é onde minha mala está, que mantém para deixar amigos e filhos informados.

O primeiro passo para o que chama de “liberdade” foi ainda no Brasil. Viajou até Belém, no Pará, para seguir de barco até Manaus, no Amazonas, numa viagem de dez dias dormindo em redes. Depois, seguiu para o Paraná e São Paulo, antes de embarcar para a primeira experiência no exterior com um novo olhar de viajante. Antes, já havia ido à Europa em pacotes turísticos fechados em agências. “Era um horror, achava que o mundo era um bicho-papão”.

Após convites para apresentar o seu trabalho como assistente social, seguiu para Portugal e Espanha em março de 2017, numa temporada de palestras e rodas de conversa. Na Irlanda, fez um curso de inglês, principalmente para se manter regularizada na Europa. Atuou de babá, ao mesmo tempo em que estudava e viajava para outros países, como Holanda, Escócia, Suíça, Bélgica e Itália.

Esgotada a temporada na Europa, só deu tempo de voltar ao Brasil para colocar o apartamento para alugar, se desfazer do que sobrou e partir em direção à África do Sul, em março de 2018. Desde então, não voltou mais.
Jô passou por países como Quênia, Ruanda, Uganda, Egito, Israel, Índia, Nepal, Laos até chegar ao Vietnã. Até abril de 2019, quando pretende voltar ao Brasil para renovar o passaporte, declarar o Imposto de Renda e arranjar novos inquilinos para a sua casa, pretende passar ainda por Malásia, Filipinas e Nova Zelândia, países onde não são necessários vistos e que caberiam nas páginas do seu agora experiente passaporte.

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