
Com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, o Boi Bumbá Garantido é o campeão do 58º Festival Folclórico de Parintins, que aconteceu nos dias 27, 28 29 de junho no município de Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus). O bumbá vermelho e branco apresentou um espetáculo fortemente ligado às raízes populares e à identidade amazônica para a conquista do 33º título.
O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (30), após leitura da notas dos jurados que ocorreu no Bumbódromo de Parintins. Em cada noite, 21 quesitos foram avaliados pelos jurados com notas de 0 a 10, divididos em três blocos. Bloco A: quesitos comuns e musicais; Bloco B: cenografia e coreografia; Bloco C: parte artística do evento.
Na primeira noite, o Garantido venceu com um total de 419,8 contra 419,6 do Caprichoso, uma diferença de 0,2 décimos.
Na segunda noite, o Garantido venceu com um total de 419.5 contra 419,3 do Caprichoso, uma diferença também de 0,2 décimos.
“Boi do Povo, Boi do Povão”
Com o tema ‘O Ecoar das Vozes da Floresta’, o Boi Garantido abriu o 58º Festival de Parintins. A primeira noite do boi encarnado foi embalada pela pluralidade do povo da floresta, com destaque para a Lenda Amazônica, Item 17, “Tapyra’yawara” e o encerramento da noite com o Ritual Indígena “Moyngo, A Iniciação Maragareum”.
O início da apresentações representou a conexão do bumbá encarnado com a galera e garantiu o sucesso do espetáculo.
A segunda noite foi marcada pela celebração da história e influência do bumbá vermelho e branco como tema “Garantido, Patrimônio do Povo”, do Povão” e apresentou as matrizes populares, indígenas e afro-brasileiras, que conduziram a narrativa da apresentação.
Em uma entrada apoteótica com a galera vermelha e branca acompanhando o ritmo, o Boi Garantido conduziu a segunda noite com grandes momentos. Um dos destaques foi o item 4, Ritual Indígena, que apresentou o “Ritual Ajié”, com Adriano Paquetá comandando o item 12, Pajé.
O Boi Garantido encerrou a terceira e última noite de apresentações do Festival. O bumbá vermelho e branco levou à arena o espetáculo com o tema “Garantido, Boi do Brasil”, parte do projeto artístico maior deste ano, intitulado “Boi do Povo, Boi do Povão”.
A apresentação iniciou destacando a riqueza e diversidade cultural do país, em uma grande celebração folclórica que homenageou bois de todas as regiões do Brasil, do Norte ao Sul, representando diferentes ritmos, cores e tradições, a qual também teve a exaltação do Boi Garantido, que evoluiu em uma mistura de sucessos do bumbá. A alegoria ainda trouxe a porta-estandarte Jevenny Mendonça, em uma aparição saindo do ‘coração do Brasil’ e, também, a sinhazinha Valentina Coimbra, que surgiu brincando de boi no meio da alegoria.
A apresentação do Garantido contou com um momento de homenagens ao compositor Chico da Silva, com toadas escritas por ele que marcaram o Festival de Parintins, como a toada “Vermelho”, e ainda com a despedida do tripa Denildo Piçanã. A lenda apresentada na terceira noite foi “A Deusa das Águas”, inspirada em uma das toadas mais marcantes do Festival. A alegoria, assinada pelo artista Glemberg Castro e sua equipe, impressionou pela grandiosidade, movimento e uso de tecnologias cênicas. A Rainha do Folclore, Lívia Christina, surgiu no módulo central da alegoria, com uma evolução marcada por uma transformação em yara.
A figura típica regional exaltou as artesãs indígenas, valorizando a mulher originária como guardiã da floresta. E destacou como suas criações artesanais são expressões de resistência cultural e preservação ambiental. A alegoria trouxe a aparição da cunhã-poranga Isabelle Nogueira, liderando uma celebração da força de mulheres indígenas, em mais uma noite marcada por transmutação na indumentária, se transformando em arara.
Um dos momentos mais aguardados da noite foi o “Ritual Bahsesé”, apresentado em uma alegoria assinada pelo artista Antônio Cansanção e equipe, que reuniu esculturas gigantes, com movimentos e a encenação do ritual indígena, que trouxe o pajé Adriano Paketá.
O Garantido, que não vencia um campeonato desde 2019, continua sendo o bumbá que mais possui títulos no Festival de Parintins, com 33 vitórias. Desde 1966, os únicos anos em que não houve competição foram 2020 e 2021, durante o período da pandemia da Covid-19.
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