Manaus, 21/07/2026

Brasil

Capitã da PM é levada morta ao hospital em MG; marido sargento é preso

Capitã da PM é levada morta ao hospital em MG; marido sargento é preso
21/07/2026 09h30

Uma capitã da PMMG (Polícia Militar de Minas Gerais), identificada como Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi encontrada morta na noite desta segunda-feira (20), em Belo Horizonte. O marido da oficial, o 3º sargento da corporação Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso suspeito de envolvimento no caso.

Segundo informações da Polícia Militar, a capitã foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na região Noroeste da capital mineira. De acordo com o boletim de ocorrência, ela deu entrada por volta das 21h com ausência de batimentos cardíacos.

Diante de indícios de que a morte poderia não ter sido acidental, com a estimativa médica de que o óbito havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital, a equipe acionou a corporação.

Veja imagens:

De acordo com informações apuradas pela Itatiaia e confirmadas no registro policial, o sargento afirmou que a esposa teria caído de uma escada na residência do casal, no bairro Palmares, por volta das 12h, sofrendo um corte na cabeça.

Eduardo alegou que prestou socorro, deu banho na esposa e a colocou para repousar, justificando que Michele recusou atendimento médico por estar constrangida pelo uso prévio de drogas. Segundo a versão dele, ambos foram dormir às 15h e, ao acordar às 21h, notou que ela não respondia aos estímulos.

No entanto, a capitã apresentava hematomas pelo corpo que levantaram suspeitas sobre a versão de acidente.

Segundo o registro policial, a vítima tinha traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, lesões lineares compatíveis com chicoteamento e um ferimento de grandes dimensões na região frontal da cabeça.

Em sua defesa aos militares, o sargento alegou que os machucados seriam fruto de práticas sexuais consensuais de dominação e espancamento, ocorridas após uma festa na noite anterior, comportamento que ele afirmou ser habitual e gravado em vídeo por eles.

Ainda segundo a apuração da Itatiaia, o militar também foi preso por suspeita de posse e tráfico de drogas.

No próprio hospital, um tenente flagrou Eduardo descartando uma pequena caixa metálica com comprimidos de ecstasy na lixeira de um dos banheiros. O suspeito confirmou que ele e a esposa haviam consumido a substância na noite anterior.

No prédio onde o casal morava, os peritos localizaram um cabo de madeira quebrado descartado no lixo próximo à saída de emergência e apreenderam roupas de cama recém-lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar.

Os peritos também apreenderam o veículo utilizado pelo suspeito para o transporte ao hospital, um Jeep Renegade prata.

Em depoimento, a mãe e a irmã de Michele relataram que a capitã vivia um relacionamento intensamente abusivo, marcado por controle psicológico, humilhações e ameaças, incluindo um episódio em que o sargento teria empunhado uma faca contra ela.

A mãe destacou, ainda, que no dia da morte, Michele atendeu a uma ligação falando muito baixo, dizendo que não poderia comparecer a um compromisso, sem responder a mensagens posteriores.

O caso será investigado como feminicídio consumado pela Polícia Civil, que apura a causa da morte e as circunstâncias que levaram ao óbito da oficial.

Em nota enviada à Itatiaia, a defesa do sargento afirmou que aguarda a conclusão das investigações e dos laudos periciais. Veja a nota:

“A defesa do policial militar informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração. este momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado.

O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.

A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”.

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