Manaus, 25/07/2026

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Caso Benício: defesa de médica aponta falhas em sistema de hospital em Manaus

Caso Benício: defesa de médica aponta falhas em sistema de hospital em Manaus
03/12/2025 14h00

A defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, 6, apresentou novos elementos que apontam para falhas no sistema de prescrição do Hospital Santa Júlia, onde a criança morreu. Segundo os advogados de defesa da profissional de saúde, a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário do hospital não foi resultado de erro manual da médica, mas de uma alteração automática realizada pela plataforma utilizada na unidade.

Juliana, de acordo com a defesa, havia originalmente indicado a adrenalina por via inalatória, e o sistema teria modificado a via de administração devido a instabilidades no dia do atendimento.

Ainda conforme a sinformações, um vídeo apresentado à investigação mostra a navegação na plataforma e evidencia que o sistema pode alterar vias de administração sem intervenção do profissional.

O advogado Felipe Braga ressaltou que esse tipo de automação já recebeu críticas de outros médicos.

Caso Benício

O delegado do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcelo Martins, citou uma overdose de adrenalina sofrida por Benício que morreu no dia 23 de novembro.

O pai de Benício, identificado como Bruno Freitas, disse em entrevistas que o filho foi levado ao Hospital Santa Júlia com tosse seca e suspeita de laringite. O pai contou que a médica prescreveu para a criança uma lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.

Ainda conforme Bruno, a mãe de Benício ainda chegou a questionar a técnica de enfermagem sobre a aplicação de adrenalina intravenosa, relatando que o filho sempre tomou adrenalina por nebulização.

O pai de Benício contou ainda que a técnica disse que também nunca tinha aplicado adrenalina por via intravenosa. No entanto, a profissional disse que estava na prescrição da médica e que ia fazer o procedimento.

Após a primeira aplicação, Benício teria começado a passar mal e foi levado para a sala vermelha do hospital, onde o quadro se agravou. Bruno relatou que a oxigenação do filho caiu para cerca de 75%. Benício ainda chegou a ser levado para um leito de UTI no início da noite de sábado (22).

Na UTI, segundo o pai, o quadro do filho piorou. Benício foi intubado e, durante o procedimento, sofreu as primeiras paradas cardíacas. Bruno contou que o filho ficou instável após as primeiras paradas. Porém, o menino apresentou uma nova piora. Benício morreu às 2h55 do domingo (23).

Pedido de prisão

A Polícia Civil do Amazonas solicitou a prisão de Juliana, mas a Justiça decidiu que ela responderá às investigações em liberdade, por meio de habeas corpus preventivo.

Paralelamente, o Ministério Público do Estado do Amazonas manifestou-se favorável à suspensão do exercício profissional da médica e da técnica de enfermagem Rayssa Marinho, como medida cautelar, recomendando também que elas cumpram restrições de deslocamento e comparecimento periódico em juízo.

Prints de conversas

A médica Juliana Brasil Santos admitiu em documento do Hospital Santa Júlia, ter errado ao prescrever a adrenalina para Benício. Em um documento interno do hospital, a afirma que errou a prescrição da medicação.

Também em mensagens obtidas pelo Portal Vizinho TV, a médica admite ao diretor de plantão que errou na prescrição.

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