Manaus, 24/07/2026

Amazonas

Caso Débora: Gil Romero é condenado a 63 anos de prisão pelas mortes da jovem e do bebê

Caso Débora: Gil Romero é condenado a 63 anos de prisão pelas mortes da jovem e do bebê
01/06/2026 10h00

Na madrugada desta segunda-feira (1º), o Tribunal do Júri de Manaus encerrou um dos capítulos mais marcantes da crônica policial recente do Amazonas. Após cinco dias de um julgamento no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, a 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus definiu o futuro dos réus Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva, acusados pelo assassinato da jovem Débora da Silva Alves, que estava grávida de oito meses.

Sob a presidência do juiz titular Fábio Alfaia, o Conselho de Sentença acolheu de formas distintas as teses da acusação apresentadas pelo Ministério Público para cada um dos envolvidos.

Apontado como o mentor e executor do crime, Gil Romero Machado Batista recebeu a punição mais severa. Ele foi condenado por todos os crimes  indicados pelo MP a 63 anos, 7 meses e 19 dias em regime fechado. Já José Nílson Azevedo da Silva obteve sucesso parcial ao convencer os jurados a afastar as acusações mais graves de autoria direta do homicídio. Ele foi condenado a 17 anos e 8 meses por homicídio qualificado por motivo torpe tendo afastadas duas qualificadoras e feminicídio.

A condenação de Gil Romero foi estruturada sobre os crimes de feminicídio mediante emboscada (recurso que dificultou a defesa da vítima) e meio cruel. Ele também foi  condenado pela morte do bebê de 8 meses que a jovem carregava e pela tentativa de destruir o corpo da jovem em um tonel com fogo e ocultá-lo em uma área de mata.

O juiz acolheu os argumentos do MPAM, entendendo que a materialidade dos delitos está devidamente comprovada por meio de laudo de exame antropológico, laudo de exame de corpo de delito (perícia indireta), certidão de óbito e relatórios investigativos.

Os indícios de autoria foram considerados robustos, amparados por depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, rastreamento e pela própria confissão dos acusados em sede policial.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em meados de 2023. Na ocasião, a dupla teria matado Débora da Silva Alves, de 18 anos, e seu bebê em gestação, por meio de asfixia com um fio elétrico.

Posteriormente, um dos condenados retornou ao local do crime, retirou o feto (nascituro), descartando-o em um rio, e ateou fogo no corpo da mãe.

Sobre o caso

Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM), no dia 30 de julho de 2023, por volta de 00h40, na Usina Termoelétrica Mauá 2. Localizada na estrada da UTM, bairro Mauazinho, zona leste de Manaus, Gil Romero e José Nilson mataram Débora e seu nascituro, que na ocasião estava no oitavo mês de gestação. Débora foi asfixiada com fio elétrico.

Na sequência, os dois puseram o corpo em um tonel e atearam fogo. Ainda conforme a denúncia, assim que José Nilson deixou o local, Gil Romero abriu a barriga de Débora e retirou a criança, pondo-a em um saco plástico e jogando-a no rio. Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora da Silva Alves, relacionamento este que resultou na gravidez da jovem. O crime teria sido cometido para apagar os efeitos da relação extraconjugal.

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