Manaus, 16/07/2026

Amazonas

Colocar Flávio Antony no cargo de desembargador é uma afronta à própria Justiça

Foto: Divulgação
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29/10/2025 18h44

A possível nomeação de Flávio Antony, braço-direito do governador Wilson Lima, para o cargo de desembargador, é mais do que um erro político — é uma afronta direta à Justiça amazonense e um desrespeito ao povo do Amazonas.

Nos últimos dias, repercutiu nacionalmente a denúncia sobre uma reunião gravada na casa da prima do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, em Parintins. O local, que ficou conhecido como o “QG do Crime”, foi palco de um encontro comprometedor, onde estiveram presentes secretários estaduais e o chefe da Casa Civil, Flávio Antony.

Na gravação, o grupo de Flávio aparece arquitetando interferência direta nas eleições municipais de Parintins, discutindo compra de votos, ameaças, coação de eleitores e até o uso da Polícia Militar para favorecer Brena Dianná, candidata apadrinhada pelo governador Wilson Lima.

O mais revoltante é que, após o escândalo, o governador exonerou parte dos envolvidos, mas manteve Flávio Antony intocado, como se nada tivesse acontecido. E, para piorar, agora ele tenta ser indicado ao cargo vitalício de desembargador, justamente enquanto é investigado pelo Ministério Público Eleitoral.

Pergunto: onde está o senso de justiça?
Como pode um homem citado em um escândalo de interferência eleitoral — com indícios de corrupção, abuso de poder e uso indevido da máquina pública — pleitear uma cadeira no Tribunal de Justiça do Amazonas? Isso é zombar da inteligência da sociedade e do próprio sistema judicial.

Nomear Flávio Antony nesse contexto seria um tapa na cara da moralidade, da ética e da Constituição. Seria permitir que a Justiça, que deveria punir os abusos, se ajoelhasse diante da política suja.

O Amazonas vive um momento grave, onde a impunidade se tornou regra, e onde o poder político tenta se blindar em todos os espaços — inclusive dentro do Judiciário. Se esse tipo de manobra prosperar, estaremos testemunhando a institucionalização da promiscuidade entre poder e justiça.

Como jornalista e cidadão, não posso me calar diante de tamanha afronta.

Flávio Antony precisa responder pelos atos que lhe são atribuídos, e não ser premiado com toga e foro privilegiado. A Justiça não pode ser refém da conveniência política.

A sociedade amazonense está atenta, e a imprensa livre — aquela que ainda tem compromisso com a verdade — tem o dever de expor e questionar.
Se prevalecer o silêncio, a corrupção vencerá mais uma vez.

Marcelo Generoso
Jornalista e editor do portal A Voz Política

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