Manaus, 25/07/2026

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Comércio com a China lidera expansão de empregos formais no Brasil

Comércio com a China lidera expansão de empregos formais no Brasil
13/09/2025 10h50

Manaus-AM – A parceria comercial entre Brasil e China tem sido um dos principais motores de geração de empregos formais no país, superando outras parcerias econômicas tradicionais, segundo o estudo Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China, divulgado esta semana pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Crescimento no emprego ligado ao comércio exterior

De 2008 a 2022, o número de empregos formais relacionados às exportações brasileiras para a China cresceu 62%, percentual que supera o registrado nas parcerias com Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e demais países da América do Sul (17,4%).

No mesmo período, os postos de trabalho vinculados às importações provenientes da China tiveram alta de 55,4%, também acima das expansões do comércio importador com América do Sul (21,7%), União Europeia (21%), Estados Unidos (8,7%) e Mercosul (0,3%).

Comércio com a China lidera geração de empregos na importação

De acordo com o estudo, o comércio sino-brasileiro é o maior gerador de empregos na área de importação, com mais de 5,56 milhões de postos formais, superando em 145 mil vagas a União Europeia, segundo maior empregador neste setor. Em 2022, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2008, o Brasil atingiu o topo do ranking de empregos gerados pelo comércio exterior, graças à parceria com a China.

Na exportação, as atividades ligadas ao comércio com a China empregavam mais de 2 milhões de pessoas no mesmo ano.

Exportações para a China têm menor número absoluto de empregos

Apesar do crescimento percentual expressivo, o número absoluto de empregos nas exportações para a China ainda é inferior ao de outros parceiros, como Mercosul (3,8 milhões), União Europeia (3,6 milhões), América do Sul (3,5 milhões) e Estados Unidos (3,4 milhões).

Segundo a analista do CEBC Camila Amigo, isso ocorre pelo perfil da pauta exportadora para a China, dominada por produtos agropecuários e minerais, que embora altamente competitivos, geram menos empregos devido ao alto grau de mecanização. “Em comparação, os setores industriais presentes nas exportações para Estados Unidos, União Europeia e Mercosul são mais diversificados e demandam mais mão de obra”, explicou.

Dados oficiais e metodologia

Os dados foram coletados a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), relatório oficial do Ministério do Trabalho e Emprego, o que assegura que se trata de empregos formais. O CEBC separa o número de empregos entre importadoras e exportadoras para evitar duplicidade, já que algumas empresas atuam nos dois segmentos.

Parceria estratégica e impacto macroeconômico

A China é atualmente o principal parceiro econômico do Brasil tanto nas exportações quanto nas importações. Em 2024, cerca de 3 milhões de empresas brasileiras exportaram para a China, enquanto 40 mil realizaram importações do país asiático.

Nesse ano, a China representou 28% das exportações brasileiras e 24% das importações. O saldo comercial brasileiro com a China acumulou superávit de US$ 276 bilhões na última década, o que equivale a 51% do superávit total do Brasil no comércio exterior.

O estudo destaca que essa relação comercial é fundamental para a estabilidade macroeconômica brasileira. “A manutenção do superávit comercial com a China contribuiu para reduzir a vulnerabilidade externa, elevar as reservas internacionais e suavizar a volatilidade cambial, protegendo a economia de choques globais”, afirmam os autores.

Perspectivas para o futuro da relação comercial

Com o atual contexto de aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o comércio entre Brasil e China se destaca por sua solidez e complementaridade, avalia Camila Amigo. “A China depende do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, energia e minerais, enquanto o Brasil garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo e importa produtos essenciais para sua produção nacional.”

Ela destaca ainda que o futuro dessa relação deve ser baseado em confiança, diversificação das exportações, sustentabilidade e inclusão socioeconômica, aproveitando não apenas a demanda por commodities, mas também novas oportunidades para produtos e empresas.

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