
Saem os artigos de natal, entram os de carnaval. Todo início de ano traz uma nova roupagem para as vitrines das lojas do Centro do Recife, principalmente para as especializadas em itens de época. Apesar do clima ser de transição neste período, nesta sexta-feira (4), diversos produtos carnavalescos já se encontram expostos, como fantasias e máscaras, além de varidades de glitter e purpurina.
“Semana que vem, com o fim do recesso, tudo vai estar organizado para o carnaval. Estamos para receber muita coisa, mas já temos umas mil fantasias”, afirma a gerente comercial Roseli Assis, de 53 anos, na expectativa de receber em torno de 500 pessoas no estabelecimento em que trabalha na Rua Padre Floriano, no bairro de São José, somente na semana pré-carnavalesca.
Para ela, apesar de o carnaval ser apenas em março, o comércio já esquentou. “Vendemos bem para o halloween, mas o natal foi um fracasso. Agora, o movimento começou a se intensificar, já chegou muita gente aqui procurando máscara do presidente [Jair Bolsonaro], inclusive”, explica.
Há 18 anos trabalhando na mesma loja em que Priscila, a gerente comercial Janaína Fernandes, de 41 anos, fez uma observação: “Percebi que antigamente as pessoas não tinham tanto costume de repaginar roupas. Confeccionavam ou compravam mais fantasias. Agora, estão reciclando bastante, usando muito acessório divertido com roupa comum, originalizando”, aponta.
Janaína acredita que essa tendência de montar o próprio figurino é reflexo da crise econômica do país. “Tem muita gente desempregada que não tem como investir em festa, não pode comprar fantasias mais caras. Sentimos uma queda no movimento de uns três anos para cá”, analisa.
Ainda conforme a gerente, há fantasias de todos os preços. Geralmente as mais baratas são as mais tradicionais. “Temos fantasia infantil de índio por R$ 8,90 e havaiana adulta por R$ 13,65. A mais cara que temos é a de sambista, toda bordada. Ela sai por uns R$ 990, só o costeiro custa R$ 600. Algumas de heróis chegam a R$ 500”, diz.
Com a aproximação dos bailes, ela espera receber mais de mil pessoas por dia no estabelecimento. “Em setembro, quando começaram as prévias de Olinda, muita gente veio buscar itens de carnaval. Tenho comprado material desde junho, também porque as agremiações começam a confeccionar as roupas e carros alegóricos no meio do ano, mas já estamos repondo tudo”, afirma.
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