
Uma creche localizada em Brisbane, na Austrália, ganhou repercussão internacional após cobrar 2.200 dólares australianos (cerca de R$ 7.600) pelos portfólios de desenhos feitos pelas crianças. A justificativa da instituição foi de que os trabalhos são propriedade intelectual da escola e seriam vendidos para ajudar a pagar salários atrasados dos professores.
A medida gerou forte reação dos pais, que classificaram a cobrança como absurda. A creche em questão é a Craigslea Community Kindergarten and Preschool, que atende crianças de 4 a 5 anos e atualmente enfrenta uma grave crise financeira, com dívidas estimadas em 46 mil dólares australianos (aproximadamente R$ 160 mil).
Diante da situação, o comitê gestor da escola decidiu colocar a instituição sob administração voluntária e propôs a venda dos portfólios dos próprios alunos como alternativa para arrecadar recursos. Os pais foram informados por e-mail e deveriam manifestar concordância ou recusa ao pagamento para ter acesso aos trabalhos dos filhos.
A proposta gerou indignação. Muitos pais chamaram a cobrança de “inaceitável” e “incompreensível”. Um dos casos que mais repercutiram foi o de uma mãe que retirou os desenhos de seu filho sem pagar e foi acusada de furto pela escola.
O comitê argumenta que os portfólios foram elaborados, organizados e avaliados pelos professores durante o expediente escolar, e por isso pertencem legalmente à associação que administra a creche.
A polêmica chamou a atenção até do premiê de Queensland, David Crisafulli, que criticou duramente a medida. Ele classificou a venda como uma forma de “chantagem emocional” contra os pais e afirmou que a prática “vai contra os valores australianos”. Segundo Crisafulli:
“Todo pai merece o direito de levar esses trabalhos para casa e colocá-los na geladeira ou atrás da porta do armário.”
O caso também mobilizou o Departamento de Educação de Queensland, que abriu uma investigação formal. De acordo com a legislação australiana, os pais têm direito de solicitar gratuitamente os documentos e portfólios educacionais de seus filhos.
Até o momento, a direção da creche não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.
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