
O brasileiro José Lucas, de apenas 9 anos, viveu um pesadelo em Portugal. A criança teve a ponta de dois dedos da mão esmagados e amputados em uma agressão cometida por colegas na Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães, no Distrito de Viseu. O caso, que ocorreu no primeiro ano do garoto na instituição, levanta graves denúncias de bullying e negligência escolar.
Segundo o relato da mãe, Nívia Estevam, a agressão ocorreu quando José Lucas foi ao banheiro da escola. Duas crianças fecharam a porta violentamente nos dedos do menino, e o mantiveram preso. A criança disse à mãe que achou que iria morrer. Ele precisou se arrastar por baixo da porta, com os dedos já amputados.

José Lucas perdeu a primeira parte do indicador e do dedo maior e precisou passar por três horas de cirurgia.
Nívia suspeita que o filho sofreu a agressão por ser brasileiro, negro, gordo e por ser novo na escola. A mãe afirma que esta não foi a primeira agressão. Apenas cinco dias antes do incidente da amputação, Nívia já havia feito uma queixa formal à professora do filho, relatando agressões como puxões de cabelo, pontapés e enforcamento. Ela disse ainda que nenhuma atitude foi tomada.
A brasileira denuncia também a falta de transparência da escola após o incidente. O episódio ocorreu cerca de 1h30 após a chegada do menino à escola.
Nívia relata que a professora ligou informando que José “estava brincando” com colegas e “amassou o dedo na porta”, minimizando a gravidade do caso. No entanto, durante a ligação, a mãe ouviu alguém pedir que chamassem uma ambulância. Ao chegar à escola, que fica a menos de cinco minutos de casa, ela ainda não sabia que o filho havia tido os dedos amputados.
A mãe ainda critica a atitude da instituição após o resgate: “Não guardaram os pedaços dos dedos do meu filho, ainda limparam todo o local do ocorrido.
Após o procedimento cirúrgico, o hospital acionou uma assistente social, o que levou a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens a abrir uma investigação.
A mãe procurou a polícia local, mas afirma ter ouvido que o caso era tratado como um acidente. Em nota, a Direção do Agrupamento de Escolas de Souselo informou ter conhecimento do caso e que abriu um processo de investigação interna.
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