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Dia da Saudade ganha novo significado durante a pandemia

Dia da Saudade
Dia da Saudade
30/01/2021 11h59

Enquanto em todo o país são registrados casos de aglomerações e festas, milhares de famílias seguem firme no isolamento desde março do ano passado, a fim de evitar o contágio pelo novo coronavírus. E vivem com um sentimento que aperta o coração: a saudade das pessoas queridas. Celebrado neste sábado (30), o Dia da Saudade, uma palavra que existe em poucos idiomas, ganhou novo significado com a pandemia.

A jornalista Juliana Victorino está há quase dois anos sem ver a filha, que mora na Nova Zelândia, país no sudoeste do Oceano Pacífico. A estudante Constanza Victorino Torres, de 19 anos, viajou em 29 março de 2019 para fazer intercâmbio de três meses e morar na casa dos tios, que residem no país há três anos. Mas, gostou tanto do país, que pediu a extensão do visto para ficar até abril de 2020. 

“Mas, quando começou a a pandemia a primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, fechou todas as fronteiras [em 23 de março de 2020]. Ela já estava com as passagens compradas para retornar dia 22 de abril de 2020. A pandemia ganhou força e o Consulado Brasileiro, que também cuida da Austrália, estava analisando se ela poderia ficar ou não. Decidimos que ela ficaria lá, pois a volta só foi permitida em um voo de ajuda humanitária, que poderia ser arriscado já que ela faria escala em vários países e poderia ficar parada em algum dos destinos sozinha”, contou Juliana. 

Com isto, o visto da estudante foi renovado e ela poderia ficar até outubro de 2020. “Como o país também estava fazendo um bom controle da pandemia, escolhemos que ela ficasse lá. Em outubro de 2020 venceu os seis meses e a Nova Zelância renovou [o visto] para ela por mais seis meses e vence em abril de 2021. Não sei se ela vai conseguir voltar, se eles vão reabrir a fronteira ou se ela vai poder voltar em um voo seguro, porque até hoje são voos humanitários com paradas incertas”, lamenta a mãe da estudante, que apesar da saudade, tem feito de tudo para amenizar a falta da filha. 

“Costumo dizer que eu não a vi virar mulher [Constanza fez 18 anos em novembro de 2019], e eu tinha muito ciúmes da minha irmã e cunhado no Natal e nos aniversários, principalmente quando mandam fotos, pois tem algumas datas que doem mais”. Ela conta com a tecnologia e outras maneiras de encurtar a distância e a saudade.  

“Temos algumas formas de não perder a conexão entre nós duas: lemos os mesmos livros, e comentamos, contamos fofocas do bairro ou da família, fazemos as videochamadas com a bisavó e avó que estão morrendo de saudades, com as irmãs dela, a cachorrinha e até outro cão que chegou depois que ela viajou”, conta Juliana. 

A mãe diz que lá a filha estuda, trabalha e tem vários amigos. “Nos intervalos a gente se fala. E lá, mesmo durante o alerta vermelho, o governo incentivava ir até uma praia ou parque para ficar ao ar livre sem aglomerar, então foi uma experiência diferente do que a gente está vivendo em São Paulo”, destaca.

Juliana conta que a saudade é imensa, mas que o contato constante é o que a faz seguir adiante. “Ficamos nessa de mostrar o dia a dia, o que a gente está comendo, essas coisas que fazem com que a gente continue mantendo laços e se reconheça no dia a dia e quando ela voltar não seja tão estranho. Então um visual novo de uma irmã, um cabelo novo que a gente faz, tudo é motivo pra gente dar risada, é assim que a gente tenta sobreviver a saudade, ao aperto no coração, muitas vezes o choro [vem], me emociono até agora ao falar, e fico com a esperança de que ela esteja vivendo um período maravilhoso na vida dela e com certeza ela está mais segura que a gente aqui no Brasil”, diz Juliana com voz embargada de choro. 

via Agência Brasil

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