Manaus, 04/06/2026

Brasil

Dólar tem viés de baixa ante real após governo dos EUA ameaçar Powell com processo

Dólar tem viés de baixa ante real após governo dos EUA ameaçar Powell com processo
12/01/2026 09h45

SÃO PAULO, 12 Jan (Reuters) – O dólar tem leve viés de baixa ante o real nesta manhã de segunda-feira após o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, revelar no domingo que o governo Trump o ameaçou com uma acusação criminal.

A ameaça é vista nos mercados globais como uma estratégia de pressão do governo sobre o Fed visando mais cortes de juros nos EUA.

Às 9h24, o dólar à vista cedia 0,12%, aos R$5,3602 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — caía 0,29%, aos R$5,3865.

No domingo, Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington.

“Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou o Federal Reserve com intimações do grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado em junho passado”, disse Powell.

De acordo com o chair do Fed, “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua” por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição.

A ameaça a Powell conduzia nesta manhã a queda do dólar ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra, o franco suíço e a maior parte das moedas de países emergentes. Às 9h21, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,45%, a 98,788.

Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e de 2027 seguiu em R$5,50. Já a inflação esperada para 2026 passou de 4,06% para 4,05% e para 2027 seguiu em 3,80%.

A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.

O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$6,00 nos últimos meses.

Na sexta-feira, o dólar fechou cotado a R$5,3664, em baixa de 0,42%.

Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

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