Manaus, 22/07/2026

Meio Ambiente

Em 20 dias, Amazonas já supera número de queimadas de agosto do ano passado, aponta Inpe

Fumaça de queimadas encobriu Manaus — Foto: Divulgação/Fiocruz
Fumaça de queimadas encobriu Manaus — Foto: Divulgação/Fiocruz
22/08/2024 12h00

Em apenas 20 dias, o Amazonas ultrapassou o número de queimadas registradas em todo o mês de agosto do ano passado, de acordo com o Programa de BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em agosto de 2023, foram registrados 5.474 focos de calor, enquanto de 1º a 20 de agosto de 2024, foram contabilizados 5.489.

O estado está em emergência ambiental devido às queimadas, com 22 dos 62 municípios afetados. O governo decretou uma proibição de 180 dias para a prática de fogo e o uso de técnicas de queima controlada.

Apesar das restrições, os focos de calor continuam a bater recordes. Em julho, foram 4.241 queimadas, o maior número em 26 anos, e nos primeiros dez dias de agosto, quase 3 mil. A situação resultou em ondas de fumaça que pioraram a qualidade do ar.

Além disso, o Amazonas enfrenta uma seca que pode ser tão severa quanto a do ano passado, afetando quase 255 mil pessoas. Os dados do Inpe mostram que, em 20 dias, o estado registrou 5.489 focos de calor, um aumento de 135% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 2.332 focos.

  • Número de queimadas registradas no AM de 1º a 20 de junho de 2024: 5.489 focos.
  • Número de queimadas registradas no AM de 1º a 20 de junho de 2023: 2.332 focos.

Apuí, localizado na Região Sul do Amazonas, é o município que mais queima a Amazônia em agosto. Dados do Inpe apontam que a cidade tem 1.525 queimadas. Lábrea, também localizada na região, está na 7ª colocação, com 831 focos de calor.

A lista, contempla, ainda, municípios do Pará, Mato Grosso do Sul e a capital de Rondônia, Porto Velho. As cidades amazonas, inclusive, ficam no chamado arco do fogo, região do estado que registra uma forte presença da pecuária.

Veja o ranking das cidades que mais queimam a Amazônia:

  1. Apuí (AM): 1.525
  2. Novo Progresso (PA): 1.358
  3. São Félix do Xingu (PA): 1.173
  4. Itaituba (PA): 1.015
  5. Corumbá (MS): 996
  6. Altamira (PA): 950
  7. Lábrea (AM): 831
  8. Aquidauana (MS): 693
  9. Porto Murtinho (MS): 691
  10. Porto Velho (RO): 682

Onda de fumaça

Os efeitos dos incêndios florestais já são sentidos pela população do Amazonas. No Sul do estado, a fumaça incomoda os moradores da região.

Na capital amazonense, a “neblina” começou a ser registrada no sábado (10), e encobriu a cidade até a tarde de quarta-feira (14). Durante o período, a qualidade do ar chegou a ser considerada “péssima” de acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). O índice é o mais severo na escala de medição.

Para ser considerado de boa qualidade, o ar precisa medir entre 0 e 25 μm/m³ (micrómetro por metro cúbico de AR), Durante o período das intensas fumaças em Manaus, bairros das Zonas Sul, Centro Sul e Oeste foram os principais pontos afetados. No domingo (11), o bairro Vila Buriti chegou a registrar índices superiores a 125 μm/m³.

Na quinta-feira (15), uma mudança na direção dos ventos ajudou a dissipar a fumaça que encobriu a cidade. O problema, no entanto, deve voltar a incomodar os amazonenses com o avanço do fogo no estado.

Monitoramento intensificado

O Governo do Amazonas informou que está constantemente monitorando e combatendo os incêndios. Uma das frentes de fiscalização e combate aos crimes ambientais é o Batalhão de Policiamento Ambiental, que atua em áreas urbanas, rurais e fluviais em todo o estado. A unidade especializada faz parte não apenas da Polícia Militar, mas de todo o Sistema de Segurança Pública.

Para o tenente-coronel Victor Melo, comandante do Batalhão Ambiental, o trabalho da corporação reforça os investimentos do Estado no combate às queimadas.

“O Batalhão Ambiental atua em diversos municípios do Amazonas, com foco especial na região metropolitana. Utilizamos a Sala de Comando e Controle para monitorar os focos de queimadas através do Programa Brasil Mais, que é o mesmo sistema utilizado pelo Ibama e pela Polícia Federal. Identificamos o foco, fornecemos o link para a viatura e a equipe é enviada para a área”, explicou o tenente-coronel Melo.

Durante a seca, o risco de incêndios florestais aumenta, segundo o Batalhão. Na segunda-feira (19), o órgão recebeu um alerta sobre um incêndio em uma área de mata no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus.

As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas, mas o capitão da corporação destacou a importância de cuidados ao transitar por áreas de vegetação seca.

“Incêndios são comuns nesta época do ano. Embora não possamos confirmar se o incêndio foi criminoso, orientamos a população a ter cuidado com o que descarta, como bitucas de cigarro. A área verde próxima a fiações elétricas poderia ter causado um incêndio de maior proporção”, alertou o capitão Luan Sato.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

[yarpp]
Portal do Generoso
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.