Manaus, 21/07/2026

Economia

Endividamento das famílias cai a 76,1% em janeiro, inadimplência recua a 29,1%

Endividamento das famílias cai a 76,1% - Foto: Agencia Brasil
Endividamento das famílias cai a 76,1% - Foto: Agencia Brasil
06/02/2025 19h27

Os brasileiros ficaram menos endividados e inadimplentes em janeiro, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A proporção de famílias com contas a vencer caiu pelo segundo mês seguido, passando de 76,7% em dezembro para 76,1% em janeiro. Em relação ao mesmo período de 2024, quando o índice era de 78,1%, houve uma redução de dois pontos percentuais.

A inadimplência também apresentou leve melhora. O percentual de consumidores com contas em atraso recuou de 29,3% em dezembro para 29,1% em janeiro, enquanto a fatia daqueles que não têm condições de pagar suas dívidas vencidas caiu de 13,0% para 12,7%.

Comprometimento da renda cresce

Apesar da redução no endividamento, a percepção de endividamento piorou: 15,9% da população se considera “muito endividada”, contra 15,4% em dezembro. Esse sentimento reflete o comprometimento da renda, já que 20,8% das famílias destinaram mais da metade de seus rendimentos ao pagamento de dívidas, o maior percentual desde maio de 2024. Em média, 30% da renda familiar foi direcionada para essa finalidade.

Segundo a CNC, a cautela dos consumidores na contratação de novas dívidas se deve ao cenário de juros elevados e à maior seletividade do crédito. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a melhora da inadimplência indica um esforço das famílias para equilibrar as finanças, mas o crescente comprometimento da renda é um alerta para a economia em 2025.

Dívidas por faixa de renda

O endividamento caiu entre as famílias de menor renda. No grupo com renda mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados caiu de 80,5% em dezembro para 79,5% em janeiro. Já na classe média baixa (renda entre três e cinco salários mínimos), houve um pequeno aumento, de 78,2% para 78,5%. Nos grupos de renda mais alta, a tendência foi mista:

  • Renda de cinco a dez salários mínimos: aumento de 72,4% para 72,5%.
  • Acima de dez salários mínimos: queda de 66,1% para 65,3%.

A inadimplência, por sua vez, ficou estável para a faixa de até três salários mínimos (37,8%) e para aqueles que ganham acima de dez salários mínimos (14,9%). Já na classe média baixa (três a cinco salários mínimos), a inadimplência caiu de 28,1% para 27,5%, enquanto no grupo de cinco a dez salários mínimos houve um leve aumento de 21,7% para 22,0%.

Previsão para 2025 de endividados e inadimplentes

Apesar da recente melhora, a CNC projeta um novo aumento dos endividados e da inadimplência ao longo do ano. A expectativa é que o percentual de famílias endividadas suba a partir de março, encerrando 2025 em 77,5%, enquanto a inadimplência deve atingir 29,8%.

“A necessidade de recorrer ao crédito para consumo, aliada à manutenção dos juros elevados, tornará a gestão financeira ainda mais desafiadora para os brasileiros”, concluiu Felipe Tavares, economista-chefe da CNC.

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