
Após mais de 30 anos, foi registrado o nascimento de um novo Akuntsú, filho da indígena Babawru Akuntsú, na região sul de Rondônia. O povo Akuntsú, considerado de recente contato pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), habita atualmente a Terra Indígena (TI) Rio Omerê, localizada nos municípios de Chupinguaia e Corumbiara.
O grupo possui um histórico de drástica redução populacional devido a conflitos territoriais após massacres na década de 1980 por madeireiros e fazendeiros, nas proximidades do rio Corumbiara. Até este nascimento, o grupo era composto por apenas três mulheres sobreviventes – Babawru, Pugapia e Aiga, o que torna o nascimento um marco para a continuidade demográfica e cultural do povo Akuntsú.
Diferente de tribos com populações na casa dos milhares, para os Akuntsu, cada indivíduo representa uma porcentagem vital da existência de todo o seu povo. A linhagem, que parecia destinada a se encerrar com esta geração, ganha agora um fôlego imprevisto.
A fragilidade atual do grupo não é obra do acaso, mas o resultado de décadas de pressões externas. Localizados em uma região de intensa expansão agrícola e extração de madeira, os Akuntsu sofreram sucessivos golpes; massacres perpetrados por invasores nas décadas passadas reduziram a tribo a um pequeno grupo de sobreviventes, a perda de território dificultou a manutenção do modo de vida tradicional e da segurança alimentar, além da necessidade de se esconder para sobreviver limitou as trocas culturais e o crescimento populacional.
Este novo integrante da tribo não representa apenas um acréscimo numérico; ele é a ponte para a preservação de um patrimônio cultural imaterial. Com ele, renova-se a possibilidade de que os cantos, a cosmologia e os conhecimentos botânicos do grupo sejam transmitidos a uma nova geração, em vez de serem enterrados com as últimas anciãs.
Especialistas e órgãos de proteção agora voltam os olhos para a Terra Indígena Rio Omerê com urgência renovada. O desafio, contudo, permanece o mesmo: garantir que o território seja protegido contra as pressões ambientais e invasões, para que esta nova vida possa crescer e, quem sabe, liderar o renascimento de seu povo.
“Cada nascimento em um grupo tão reduzido é uma vitória contra a história de violência que esses povos enfrentaram. É a prova de que a vida resiste, mesmo quando o mapa parece dizer o contrário.”
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