
Os Estados Unidos retiraram nesta segunda-feira (4) a bandeira que tremulava no consulado de Jerusalém que servia como seu canal diplomático com os palestinos. Essa missão foi anexada à nova embaixada norte-americana em Israel, recém-instalada em Jerusalém.
Se antes o consulado reportava as questões relacionadas aos palestinos diretamente a Washington, agora sua equipe foi rebatizada na embaixada como “Unidade de Assuntos Palestinos”, sob as ordens do embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.
Os líderes palestinos boicotam o governo de Donald Trump desde que ele reverteu uma diretriz de política externa norte-americana de longa data e reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, em dezembro de 2017. Em maio de 2018, a nova embaixada americana foi aberta em Jerusalém, provocando violentos protestos.
Os palestinos condenaram o fechamento da missão americana para palestina pois o consideram como a medida mais recente de Washington para contrariá-los.
No consulado na Rua Agron, no centro de Jerusalém, a cerimônia da retirada da bandeira foi discreta. Friedman, que ajudou a transferência da embaixada dos EUA em Tel Aviv para um complexo no sul de Jerusalém, não esteve presente.
Autoridades dos EUA disseram que a flâmula foi retirada e entregue à consulesa de saída, Karen Sasahara, como um presente de despedida, e em seguida outra bandeira dos EUA foi hasteada.
Reação palestina
“Este é o último prego no caixão” de uma pacificação, disse o negociador palestino veterano Saeb Erekat no Twitter.
As conversas israelo-palestinas desmoronaram em 2014, e a Casa Branca disse que pretende apresentar um novo plano de paz depois da eleição nacional israelense de abril.
Israel considera toda Jerusalém, inclusive o setor oriental que capturou na Guerra dos Seis Dias de 1967 e anexou ao seu território como sua capital indivisível. Mas Washington tem evitado tal linguagem, sinalizando que o status definitivo da cidade deveria ser negociado pelos dois lados.
Os palestinos querem fazer de Jerusalém Oriental a capital de um Estado que almejam fundar na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.
O relatório mais recente da União Europeia a respeito dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, divulgado no mês passado, afirma que a expansão contínua tornou as chances de uma solução de dois Estados, com Jerusalém como capital de ambos, “crescentemente inalcançável”.
A construção de novas casas na Cisjordânia continuou em um ritmo inédito na segunda metade de 2018, abrindo caminho para a entrada de mais israelenses no território invadido, segundo o relatório.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.