
Manaus-AM – As Forças Armadas dos Estados Unidos estão adotando novas diretrizes para prevenir a rabdomiólise por esforço, condição grave causada por exercícios intensos ou exposição prolongada ao calor. A doença, também conhecida como “rabdo”, já afastou centenas de soldados do serviço nos últimos anos e pode levar a complicações sérias, como insuficiência renal, arritmias cardíacas, invalidez permanente e até a morte.
A rabdomiólise ocorre quando fibras musculares danificadas liberam proteínas e eletrólitos na corrente sanguínea, comprometendo órgãos vitais. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os sintomas incluem náuseas, vômitos e dores musculares semelhantes aos de outras doenças relacionadas ao calor, o que dificulta o diagnóstico precoce e pode levar ao agravamento do quadro clínico.
Em comunicado à imprensa, o professor de medicina militar e de emergência Francis O’Connor afirmou que a nova política traz “critérios de diagnóstico mais claros e melhores formas de identificar militares em risco”. A expectativa é que essas medidas aumentem a proteção das tropas e acelerem a recuperação dos afetados.
Entre os militares considerados mais vulneráveis estão aqueles com:
Casos leves da doença podem ser tratados fora do ambiente hospitalar, conforme avaliação médica.
De acordo com o Centro de Calor do Exército dos EUA, os profissionais de saúde observam casos de rabdomiólise com frequência, tanto de forma isolada quanto combinada a outras condições causadas pelo calor extremo. O diretor do centro, David DeGroot, destacou que as novas diretrizes clínicas oferecem ferramentas para que os soldados “possam retornar ao trabalho com segurança, sem colocar sua saúde em risco”.
Nos últimos anos, o Exército tem intensificado ações de prevenção a doenças causadas pelo calor, especialmente após a atuação em regiões desérticas durante a chamada Guerra contra o Terror, no Oriente Médio. Hoje, bandeiras coloridas são utilizadas em diversas bases militares para alertar os soldados sobre os níveis de risco térmico durante os treinamentos.
Apesar dos esforços mais recentes, a rabdomiólise só começou a receber atenção significativa em 2025. Um relatório da Agência de Saúde de Defesa dos EUA revelou que entre 2020 e 2024, 530 militares foram diagnosticados com a doença um aumento expressivo no período.
O tema ganhou repercussão nacional em 2024, quando um militar dos SEALs da Marinha dos EUA conduziu um treinamento não autorizado para o time de lacrosse de uma universidade americana. Entre os 61 estudantes participantes, 24 foram hospitalizados com rabdomiólise. A investigação apontou que o instrutor não tinha autorização nem qualificação para liderar esse tipo de atividade.
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