
A pouco mais de um mês para o início do 59º Festival Folclórico de Parintins, os bastidores da disputa entre os bumbás pegaram fogo. A Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido emitiu uma dura nota oficial manifestando grave preocupação com a falta de transparência e possíveis irregularidades na escolha dos jurados que vão definir o campeão de 2026.
No documento, o bumbá vermelho e branco acusa a Coordenação de Jurados de violar o próprio regulamento do festival e de agir sob a influência de pessoas ligadas diretamente ao boi contrário, o Caprichoso.
O principal ponto de questionamento do Garantido é o atraso inédito e a falta de publicação do Edital de Inscrições para a seleção dos avaliadores. De acordo com as normas vigentes, esse processo deveria ter sido lançado com ampla antecedência.
O boi da Baixa do São José denuncia que a comissão responsável estaria fechando acordos diretamente com instituições parceiras para a indicação de nomes, ignorando a necessidade de um chamamento público. Para a diretoria do Garantido, a conduta configura uma “patente afronta aos princípios que regem a Administração Pública”.
A nota eleva o tom e personaliza o descontentamento ao apontar conflitos de interesse na liderança do processo. O Garantido afirma causar “estranheza” o fato de o processo ser conduzido por pessoas com vínculos familiares e afetivos declarados com o Caprichoso:
Wanderley Pantoja (Presidente da Coordenação de Jurados): Irmão de Gereca Pantoja, que atua como artista de alegoria do boi contrário.
Karla Viana: Apontada pelo Garantido como torcedora declarada e integrante de família tradicional ligada ao rival.
Segundo o bumbá vermelho, o questionamento sobre esses nomes já foi protocolado formalmente, mas a organização do festival simplesmente ignorou o pedido de esclarecimentos.
Diante do cenário que classificou como “obscuro e ao arrepio da lei”, a diretoria do Boi Garantido revelou que já havia protocolado, no dia 8 de maio, um documento rejeitando qualquer proposta de alteração de última hora no regulamento do festival, exigindo a abertura imediata do edital. Como também não obteve resposta até o momento, o bumbá pede uma fiscalização externa e rigorosa.
“A Diretoria do Boi Garantido entende ser necessária a participação em todas as etapas de representantes dos bumbás, do Ministério Público e do Poder Judiciário”, diz trecho da nota da Assessoria de Comunicação.
O Garantido encerra o manifesto afirmando que preza pela credibilidade do espetáculo e que exige uma definição urgente para garantir a segurança jurídica da disputa, em respeito aos torcedores, patrocinadores e trabalhadores que constroem a grandeza do Festival de Parintins. Até o fechamento desta matéria, a coordenação do festival e o Boi Caprichoso não haviam se pronunciado sobre as acusações.
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