Manaus, 17/06/2026

Ciência

Homem de Gelo morreu há muito tempo, mas seus micróbios seguem vivos

A múmia do Homem de Gelo é preservada em uma câmara frigorífica a uma temperatura constante de -6°C e uma umidade relativa de 99% • Eurac Research/Andrea De Giovanni
A múmia do Homem de Gelo é preservada em uma câmara frigorífica a uma temperatura constante de -6°C e uma umidade relativa de 99% • Eurac Research/Andrea De Giovanni
10/06/2026 17h00

Pesquisadores analisaram a múmia de Ötzi, o “Homem de Gelo”, que morreu há cerca de 5.300 anos, e descobriram que seu corpo preserva um complexo ecossistema de microrganismos. O estudo mostrou que fungos e bactérias associados ao ambiente frio dos Alpes podem ter colonizado o cadáver no momento da morte e permanecido viáveis por milênios, graças ao congelamento natural. Alguns desses micróbios não apenas sobreviveram, mas podem ainda estar ativos em microambientes úmidos dentro da múmia.

A análise de DNA indicou que parte desses microrganismos é antiga e relacionada ao microbioma humano da Idade do Cobre, incluindo bactérias intestinais raras em populações modernas industrializadas. Por outro lado, também foram identificados micróbios introduzidos mais recentemente, possivelmente durante a descoberta e o manuseio da múmia, o que reforça a dificuldade de separar contaminação moderna de material antigo em estudos desse tipo.

Os cientistas também identificaram fungos e leveduras adaptados ao frio extremo, semelhantes aos encontrados em regiões como a Antártica. Alguns deles apresentaram sinais de possível atividade biológica contínua, levantando a hipótese de que certos organismos possam estar se multiplicando lentamente mesmo após milhares de anos de preservação congelada.

A múmia do Homem de Gelo é preservada em uma câmara frigorífica a uma temperatura constante de -6°C e uma umidade relativa de 99% • Eurac Research/Andrea De Giovanni

As descobertas ajudam a reconstruir não apenas aspectos da saúde e do intestino de Ötzi em vida, mas também a compreender como comunidades microbianas evoluem em restos humanos preservados ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, os resultados levantam preocupações sobre a conservação da múmia e destacam a importância de controlar a contaminação em pesquisas com DNA antigo.

O estudo reforça que Ötzi não é apenas um registro arqueológico humano, mas também um “arquivo biológico” de microrganismos antigos, oferecendo novas possibilidades para entender a relação entre humanos e seus microbiomas no passado remoto.

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