Manaus, 25/07/2026

Amazonas

Indiciamento no caso Benício impulsiona proposta de Braga por regras mais rígidas na saúde infantil

Eduardo Braga ao centro, ao lado dos pais de Benício Xavier de Freitas, em encontro marcado por comoção e reforço ao pedido de justiça pela morte do menino em Manaus.
Eduardo Braga ao centro, ao lado dos pais de Benício Xavier de Freitas, em encontro marcado por comoção e reforço ao pedido de justiça pela morte do menino em Manaus.
04/05/2026 15h50

A conclusão do inquérito sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, em Manaus, deu novo peso político à proposta do senador Eduardo Braga que prevê regras mais rigorosas para o atendimento pediátrico em todo o país. Com o indiciamento de uma médica e de uma profissional de enfermagem por homicídio com dolo eventual, o debate sobre falhas no sistema de saúde ganhou força no Congresso Nacional.

A investigação da Polícia Civil do Amazonas apontou erro médico grave, com falhas na condução do atendimento, descumprimento de protocolos básicos e problemas na gestão hospitalar — elementos que, segundo especialistas, poderiam ter sido evitados.

Diante desse cenário, a chamada “Lei Benício”, apresentada por Braga após o caso, passa a ser vista como resposta direta a lacunas estruturais no atendimento infantil. O senador defende que a tragédia não pode ser tratada como episódio isolado.

“Não podemos aceitar que erros evitáveis continuem custando vidas. É preciso garantir protocolos claros, fiscalização e responsabilidade para proteger nossas crianças”, afirmou.

Protocolos obrigatórios e foco na prevenção

O Projeto de Lei nº 2107/2026 estabelece uma série de medidas voltadas à segurança no atendimento pediátrico, tanto na rede pública quanto privada. Entre os principais pontos, está a obrigatoriedade de protocolos específicos para prescrição, preparo e administração de medicamentos em crianças.

A proposta também prevê padronização na identificação dos pacientes, organização dos fluxos de atendimento e criação de mecanismos para registro e análise de falhas, com rastreabilidade de possíveis erros.

Outro eixo central do texto é a qualificação das equipes. O projeto determina que o atendimento seja realizado, preferencialmente, por médicos especialistas em pediatria, além de exigir treinamento contínuo em segurança medicamentosa e situações de urgência.

Apoio às famílias e mudança cultural

Além das medidas técnicas, o projeto incorpora diretrizes de acolhimento às famílias, incluindo acesso facilitado a prontuários médicos e suporte psicossocial em casos de eventos graves ou óbitos — uma resposta às dificuldades enfrentadas por familiares de vítimas.

A proposta também institui o dia 23 de novembro como o Dia Nacional de Conscientização sobre Segurança no Atendimento Pediátrico, reforçando a necessidade de ampliar o debate público sobre o tema.

Com o avanço do caso Benício na esfera judicial, a iniciativa ganha tração política e amplia a pressão por mudanças no sistema de saúde, transformando um episódio de grande comoção em pauta legislativa nacional.

Fonte: Fato Amazônico

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