
Sarah Tinoco Araújo, mãe de Miguel, 12, e Benício, 8, assassinados pelo próprio pai em Itumbiara, rompeu o silêncio na noite de sábado (14) após enterrar o filho mais novo.
“Hoje eu escrevo com o coração dilacerado, tomada por uma dor que palavras jamais conseguirão descrever. Perdi meus filhos, perdi minha família e perdi parte de mim para sempre.”, escreveu.

Em duas cartas publicadas em suas redes sociais, a empresária se pronunciou pela primeira vez desde a tragédia que chocou o país. Os textos foram divulgados horas depois do sepultamento de Benício, que não resistiu aos ferimentos e morreu na sexta-feira (13), o irmão mais velho não sobreviveu ao ataque na noite de quarta (11).
No primeiro desabafo, Sarah admitiu falhas no casamento com Thales Machado, secretário de Governo de Itumbiara, que atirou nos filhos e tirou a própria vida.
“Assumo, diante de todos, que cometi erros no meu casamento. Erros que feriram, que causaram mágoas e que jamais deveriam ter acontecido. Carregarei para o resto da minha vida o peso das minhas escolhas e das consequências que elas trouxeram. Nada do que eu diga agora será capaz de mudar o que aconteceu”, escreveu.
Mas, em seguida, fez questão de ressaltar: “Mas também preciso dizer que nada justifica a tragédia que destruiu nossa família. Meus filhos eram inocentes, cheios de vida, sonhos e amor. Eles não mereciam nada disso. Eram a luz dos meus dias, e agora vivo na escuridão da saudade e do arrependimento”.
Ela pediu perdão às famílias, aos amigos e, principalmente, aos filhos: “Peço perdão principalmente aos meus filhos, que não estão mais aqui para ouvir minha voz dizer o quanto eram amados”.
No segundo texto, publicado na sequência, a mãe descreveu o vazio deixado pelas crianças. “Não existe dor maior do que perder um filho. Perder dois é algo que não cabe em palavras, não cabe no peito, não cabe na vida. Eles eram minha alegria, meu motivo de lutar todos os dias, meus sorrisos mais sinceros, meus abraços mais verdadeiros. Eram minha força. Eram minha luz.”
E concluiu: “Hoje eu choro. Hoje eu sofro. Mas vou carregar o amor deles comigo até o último dia da minha vida”.
Relembre o caso
A tragédia aconteceu na noite de quarta-feira (11), em Itumbiara, no sul de Goiás. Thales Machado, de 40 anos, secretário de Governo da prefeitura e genro do prefeito Dione Araújo, atirou contra os dois filhos e cometeu suicídio em seguida.
Miguel morreu ainda no local. Benício chegou a ser socorrido e internado em estado gravíssimo, passou por cirurgia, mas não resistiu e teve a morte confirmada na sexta (13).
Horas antes do crime, Thales publicou uma carta nas redes sociais em que alegava ter descoberto uma suposta traição da esposa e dizia que não suportaria viver com aquela “lembrança”. O texto, somado à exposição do caso, desencadeou uma onda de ataques virtuais contra Sarah.
No velório do filho mais velho, na quinta (12), a mãe precisou deixar o cemitério antes do fim da cerimônia sob escolta policial, após ser hostilizada e receber ameaças. Mesmo diante da dor, ela enfrentou o linchamento virtual e público – e agora, com as cartas, tenta enterrar os filhos também em paz.
A Polícia Civil de Goiás investiga o caso. Especialistas ouvidos pela imprensa classificam o crime como violência vicária, quando o agressor mata pessoas próximas à mulher, principalmente os filhos, como forma de puni-la. O Projeto de Lei nº 3880/2024, que propõe incluir a violência vicária na Lei Maria da Penha, teve pedido de urgência protocolado na semana do crime.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.